Indicador do arábica completa 30 anos, e robusta se aproxima dos 25
O Indicador Cepea/Esalq do café arábica completa 30 anos de divulgação, enquanto a série do robusta se aproxima de duas décadas e meia. As referências seguem acompanhando preços, qualidade e movimentos de comercialização em um momento de safra recorde, mas com desafios relacionados à umidade dos grãos e à formação da próxima produção.

Divulgação
Em setembro, o Indicador Cepea/Esalq do café arábica completa 30 anos de divulgação ininterrupta. Em novembro, será a vez de o indicador do café robusta, também conhecido como conilon, alcançar 25 anos. As duas séries se consolidaram como referências para produtores, cooperativas, indústrias, comerciantes e exportadores acompanharem a formação de preços no mercado brasileiro.
Séries acompanham diferentes padrões do café
O Cepea, ligado à Esalq/USP, calcula os indicadores com base em métodos técnicos e em consultas diárias a agentes do setor. No arábica, são monitorados o tipo 6, bebida dura, o tipo 7, bebida rio, e o café com classificação de 600 a 800 defeitos. Também são acompanhados os valores FOB do arábica Rio Minas, tipo 7. No robusta, o levantamento considera o tipo 6, peneira 13, e o tipo 7/8, bica corrida.
As informações sobre o arábica são coletadas em praças do Cerrado Mineiro, Sul de Minas, Zona da Mata mineira, Garça e Mogiana, em São Paulo, além do porto de Santos e do Noroeste do Paraná. Para o robusta, o Cepea levanta dados no Espírito Santo e em Rondônia, dois importantes polos produtores.
Safra recorde enfrenta problemas de qualidade
A colheita de arábica da temporada 2026/27 está praticamente encerrada, com estimativa de produção recorde segundo a Conab. A abundância de café, porém, não elimina os desafios. Chuvas durante junho e julho dificultaram a secagem nos terreiros e prejudicaram parte dos lotes em Minas Gerais e São Paulo, especialmente grãos que já estavam no chão quando ocorreram as precipitações.
Produtores e demais participantes ouvidos pelo Cepea relatam percentual elevado de cafés com bebida prejudicada e peneiras abaixo do padrão esperado. O quadro exige atenção reforçada na classificação e nas exportações ao longo da temporada, pois volume produzido e qualidade comercializável não necessariamente caminham juntos.
Comercialização ocorre com menos pressão por caixa
De maneira geral, o produtor brasileiro inicia a nova fase com maior capitalização do que em temporadas anteriores. Com menos necessidade imediata de recursos, a venda do café vem acontecendo de forma mais cadenciada. A própria colheita, mais lenta por causa do clima e da necessidade de recolher grãos espalhados pelo chão, represou parte do produto beneficiado até agosto, quando o escoamento ganhou intensidade.
Para a temporada 2027/28, o início de setembro trouxe condições mais úmidas, favoráveis ao desenvolvimento das lavouras em várias regiões. A situação, contudo, varia conforme a localidade, e os próximos meses serão decisivos para avaliar o impacto das condições climáticas, inclusive dos efeitos associados ao El Niño.
Oferta pode limitar quedas mais fortes dos preços
A próxima safra deverá ocorrer em um ano de bienalidade baixa para o arábica. Embora áreas renovadas entrem em produção, muitos talhões carregaram volume elevado de café em 2026/27 e podem ser conduzidos à safra zero. Esse movimento, somado à maior participação de cafés com bebida prejudicada, pode restringir a oferta de produto com qualidade adequada e reduzir o espaço para pressões baixistas mais intensas.
Na avaliação recente, o indicador do arábica opera perto de R$ 1.600 por saca de 60 quilos, enquanto o do robusta está em torno de R$ 990 por saca. Os patamares ficam abaixo dos registrados no ano anterior, quando ambas as séries alcançaram máximas históricas. O arábica, em especial, chegou a ser negociado a aproximadamente R$ 2.700 por saca.
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