Meta aprova anúncios eleitorais falsos com Ia, aponta estudo
Estudo submeteu 15 anúncios políticos com imagens geradas por inteligência artificial aos sistemas do Facebook e do Instagram. A Meta aprovou 13 peças, que continham desinformação eleitoral, discurso de ódio e incitação à violência, segundo a pesquisa.

Divulgação
Um estudo divulgado na quinta-feira (17 de setembro de 2026) aponta falhas na moderação de anúncios políticos da Meta. A organização britânica Ekō submeteu 15 peças de teste, acompanhadas de imagens produzidas por ferramentas de inteligência artificial, aos sistemas do Facebook e do Instagram. Dessas, 13 foram aprovadas para publicação, apesar de conterem informações falsas sobre as eleições brasileiras de 2026.
Anúncios ignoraram regras eleitorais
Segundo a pesquisa, nenhum dos materiais trazia o rótulo obrigatório de divulgação de conteúdo produzido por IA, previsto na Resolução nº 23.732, de 2024, do Tribunal Superior Eleitoral. Os anúncios também foram enviados por uma conta sediada nos Estados Unidos com segmentação para o Brasil, prática que pode contrariar normas eleitorais brasileiras sobre publicidade de origem estrangeira.
As peças aprovadas incluíam ameaças contra congressistas, alegações falsas sobre a data do primeiro turno e uma imagem fabricada de um ministro do TSE em uma entrevista que nunca ocorreu. Outro anúncio afirmava, sem base real, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia apoiado oficialmente Flávio Bolsonaro à Presidência. Também foi aprovado material que negava a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.
Conteúdo incluiu incitação e discurso de ódio
O estudo também identificou anúncios que estimulavam as pessoas a “retomar Brasília”, em referência às invasões dos prédios dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Outros materiais continham discurso de ódio contra pessoas transgênero e desinformação sobre comunidades indígenas no Brasil. De acordo com a Ekō, os 13 anúncios aprovados violaram políticas internas da Meta sobre discurso de ódio, incitação à violência e desinformação eleitoral.
Nenhum dos materiais foi classificado como conteúdo político ou recebeu o aviso exigido pela empresa para publicações sobre “questões sociais, eleições ou política”. Os dois anúncios rejeitados foram barrados por “práticas comerciais enganosas ou desonestas”, sem que a moderação apontasse problemas relacionados à violência, ao ódio ou à desinformação eleitoral.
Meta diz que anúncios não chegaram aos usuários
A Meta afirmou que as peças analisadas nunca foram vistas por usuários e que o estudo não representa a escala de seu trabalho de fiscalização. A empresa disse manter camadas de revisão antes e depois da publicação dos anúncios e reforçou o compromisso com a proteção do processo eleitoral em suas plataformas. A Ekō não divulgou os textos e as imagens usados nos testes para evitar que as técnicas de burla sejam reproduzidas.
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