Samara diz que “absurdo” é “bolsa-banqueiro”, não Bolsa Família
Candidata à Presidência pela UP criticou o pagamento de juros da dívida pública, defendeu o reajuste do Bolsa Família e propôs mudanças nas relações de trabalho e na política econômica.

Divulgação
A candidata à Presidência pela UP (Unidade Popular), Samara Martins, afirmou nesta sexta-feira (18 de setembro) que o principal problema nas contas públicas brasileiras não é o Bolsa Família, mas o volume de recursos destinado ao pagamento de juros da dívida. Durante debate realizado em São Paulo, ela classificou essa despesa como “bolsa-banqueiro” e defendeu uma mudança de prioridades no Orçamento da União.
Crítica ao Bolsa Família
Samara citou um valor de R$ 1,8 trilhão associado aos juros da dívida e argumentou que o programa de transferência de renda representa uma parcela muito menor dos gastos públicos. “O que é um absurdo no nosso país é o bolsa-banqueiro. Não é o Bolsa Família”, afirmou. A candidata destacou a necessidade de ampliar a geração de empregos e a renda das famílias, lembrando que grande parte da população recorre ao endividamento para garantir a compra de alimentos.
Reajuste do benefício
A declaração ocorreu após o governo federal elevar o piso do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691. A medida foi criticada por adversários políticos por ter sido anunciada perto do primeiro turno das eleições. O Executivo estima um custo adicional de R$ 5,8 bilhões entre outubro e dezembro de 2026 e de R$ 22,7 bilhões por ano a partir de 2027.
A equipe econômica do governo sustenta que o reajuste será financiado por remanejamentos no Orçamento e que não haverá necessidade de abertura de crédito extraordinário. A decisão reacendeu o debate sobre assistência social, responsabilidade fiscal e a distribuição das prioridades nos gastos federais.
Fim da escala 6 por 1
Na discussão sobre relações de trabalho, Samara criticou propostas que ampliam a negociação individual da jornada e defendeu o fim da escala 6 por 1, modelo em que o empregado trabalha seis dias e descansa apenas um. Para ela, trabalhadores submetidos a essa rotina têm pouca capacidade de negociar condições melhores com os empregadores.
“Hoje no Brasil não há condição de negociar com patrão. Nós, que trabalhamos na 6 por 1, não temos opção”, disse. A candidata também rejeitou o argumento de que a ampliação de direitos trabalhistas poderia comprometer a sustentabilidade econômica do país.
Propostas para a economia
Samara informou que a dívida pública alcançou R$ 9,29 trilhões em julho e defendeu que parte dos recursos destinados ao pagamento de juros seja direcionada a saúde, educação e geração de empregos. Entre as medidas propostas estão a ampliação da indústria, o incentivo à produção tecnológica no país e a criação de frentes emergenciais de trabalho pelo governo federal.
A candidata também defendeu a redução da jornada sem corte salarial e a reestatização de empresas privatizadas. As propostas fazem parte de uma agenda que busca ampliar a participação do Estado na economia e alterar a destinação dos recursos públicos.
O cenário de emprego serve como pano de fundo para o debate. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desemprego no Brasil foi de 5,4% no segundo trimestre de 2026. Em comparação com o primeiro trimestre, a desocupação caiu em 13 das 27 unidades da Federação.
Participação no debate
O encontro, realizado em formato de podcast, contou com a presença de Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) não compareceram ao evento.
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