Gilmar diz que posição incomodou dono do Banco Master
Gilmar Mendes afirmou que seus votos contrários a indenizações de usinas sucroalcooleiras desagradaram Daniel Vorcaro. O ministro também negou interferência em processo discutido em reunião com advogados do Banco Master.

Divulgação
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026, que sua posição contrária ao pagamento de indenizações a usinas de açúcar e álcool incomodou Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A declaração foi publicada no X após questionamentos sobre uma reunião entre o ministro, Vorcaro e advogados do banco.
Conta pode chegar a R$ 145 bilhões
A disputa envolve ações nas quais empresas do setor sucroalcooleiro cobram indenizações da União por causa dos preços do açúcar e do álcool definidos pelo governo entre as décadas de 1980 e 1990. Gilmar avalia que as centenas de processos podem representar um impacto de até R$ 145 bilhões aos cofres públicos. O Banco Master adquiriu créditos relacionados a parte dessas disputas judiciais.
Reclamação atribuída a Vorcaro
Gilmar informou que Vorcaro teria reclamado, em mensagem enviada em março de 2024, de sua atuação nos processos. Ao reproduzir a mensagem, o ministro destacou a frase: “Gilmar está contra mim num caso que estão usando para ferrar todos os meus precatórios”. Para Gilmar, o recado demonstra que seus votos contrários afetavam interesses ligados ao banco.
Gilmar cita votos contra o pagamento
O ministro afirmou que manteve o mesmo entendimento em diferentes casos. Na Destilaria Alcídia, julgada em junho de 2025, votou contra o pagamento do precatório, mas ficou vencido. Em processo envolvendo a Raízen, relatado por ele, o pagamento foi barrado. Já em ação da Jalles Machado, votou duas vezes contra a indenização e também ficou vencido nas duas ocasiões.
Gilmar também informou ter se manifestado contra a liberação de precatório superior a R$ 5 bilhões na STP 976-ED. Segundo o ministro, em nenhum dos processos analisados votou favoravelmente aos interesses atribuídos ao Banco Master, inclusive depois da reunião realizada em seu gabinete.
STF exige comprovação do prejuízo
Na avaliação de Gilmar, o Tema 826 da repercussão geral do STF estabelece que a indenização depende da comprovação do dano efetivamente sofrido por cada usina. Por esse motivo, ele defende a realização de perícias individuais para verificar a existência e o valor dos prejuízos. O ministro também sustenta que parte dos créditos foi adquirida por valores inferiores aos cobrados posteriormente da União.
Reunião ocorreu no STF
O encontro com Vorcaro e advogados do Banco Master aconteceu em 11 de abril de 2024, no gabinete de Gilmar, na sede do STF. De acordo com o ministro, a audiência tratou do ARE 1.327.995, processo relacionado à Destilaria Alcídia e sob relatoria de Edson Fachin. Na ocasião, Gilmar afirma ter exposto posição contrária ao pagamento.
No julgamento, o voto de Gilmar recebeu o acompanhamento de André Mendonça. Edson Fachin, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli formaram a maioria favorável à empresa. O ministro ressaltou que receber advogados em seu gabinete, em ambiente institucional, é uma atribuição prevista na legislação profissional.
Ex-cunhado é citado em outra controvérsia
A discussão também passou a incluir informações de que Vorcaro teria contratado Chiquinho Feitosa, ex-cunhado de Gilmar, por meio de uma empresa ligada ao banqueiro. O acordo teria previsto pagamentos mensais de R$ 500 mil, além de R$ 800 mil no primeiro pagamento. Feitosa era cunhado do ministro na data da reunião realizada no STF.
Ministro nega conhecimento da negociação
Gilmar afirmou que não teve conhecimento de qualquer tratativa entre Feitosa e Vorcaro e que não foi procurado pelo ex-cunhado sobre os assuntos mencionados. Segundo ele, não responde por relações privadas ou profissionais de ex-parentes. A manifestação reforça sua defesa de que atuou de forma contrária aos interesses do Banco Master nos processos do setor sucroalcooleiro.
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