Maioria diz que crise no STF não muda intenção de voto, aponta Datafolha
Pesquisa Datafolha mostra que as acusações envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça alteraram a preferência de 4% dos eleitores. Apesar do amplo conhecimento sobre o caso, 85% afirmam que as informações não mudaram seu voto para presidente.

Divulgação
A crise no Supremo Tribunal Federal provocou impacto limitado na intenção de voto para presidente, segundo pesquisa Datafolha. As acusações envolvendo Alexandre de Moraes não alteraram a preferência de 85% dos eleitores. Situação semelhante foi registrada em relação a André Mendonça: 86% disseram que os questionamentos sobre sua atuação não mudaram o voto.
Impacto restrito sobre a preferência eleitoral
Entre os entrevistados, 7% afirmaram ter ficado em dúvida sobre em quem votar, enquanto 4% disseram ter mudado de ideia. A indefinição reached 8% entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva no caso envolvendo Moraes e 5% entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro. Nas suspeitas sobre Mendonça, 7% dos lulistas e 5% dos bolsonaristas declararam dúvida.
O Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades entre terça-feira, 8 de setembro, e quinta-feira, 10 de setembro de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Conhecimento sobre o caso Moraes e Vorcaro
O episódio ganhou força após André Mendonça tornar público parte de um relatório sigiloso que tratava da relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Já era conhecido o contrato de mais de R$ 130 milhões firmado entre Vorcaro e o escritório advocatício da mulher de Moraes. As novas informações incluíram mensagens enviadas pelo banqueiro ao ministro, nas quais ele questionava a conveniência de deixar o país para evitar uma prisão. O conteúdo não aponta se houve resposta.
Do total de eleitores consultados, 66% disseram conhecer o caso, e 26% se consideram bem informados. O conhecimento é maior entre os eleitores de Flávio Bolsonaro: 75% afirmaram saber do episódio. Entre os que pretendem votar em Lula no primeiro turno, o percentual foi de 61%.
Questionamentos sobre a atuação de Mendonça
Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de levantar o sigilo apenas de parte dos documentos, classificando a decisão como seletiva. Também foram questionados os avanços da investigação contra Moraes enquanto outros ministros citados em materiais relacionados a Vorcaro não se tornaram alvo de apuração formal.
Cerca de 45% dos eleitores disseram conhecer o teor das suspeitas contra Mendonça, e 22% se consideram bem informados. Entre os bolsonaristas, 60% conhecem o caso. Entre os lulistas, o percentual cai para 37%.
Conflito institucional chega ao plenário do STF
A disputa entre os ministros provocou medidas que ampliaram a repercussão política do caso. Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral e do chefe de inteligência da Polícia Federal. Edson Fachin, presidente do STF, suspendeu as decisões e marcou para terça-feira, 15 de setembro, uma sessão para discutir a conduta de Moraes.
O pedido de investigação contra Moraes foi apresentado após o ministro encaminhar um relatório da Polícia Federal. Em decisão posterior, Flávio Dino determinou o retorno de Andrei Rodrigues à direção-geral da corporação e citou um encontro entre Mendonça e Vorcaro.
Investigação alcança emendas e filme sobre Bolsonaro
Outro desdobramento envolve o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Flávio Dino autorizou uma operação para verificar se emendas do deputado Mario Frias foram usadas no financiamento da produção. Vorcaro teria enviado quase R$ 70 milhões para o projeto. Flávio Bolsonaro foi gravado pedindo recursos ao banqueiro, mas nega irregularidades.
Por determinação de Fachin, Mendonça havia liberado parte dos dados do caso Banco Master. Na sexta-feira, 11 de setembro, Fachin ordenou a divulgação integral do processo, a pedido de Moraes e de outros ministros. A medida tornou públicos novos elementos sobre autoridades e sobre o financiamento da produção cinematográfica.
Os números indicam que o episódio já é acompanhado por parcela expressiva do eleitorado, mas ainda não provocou um deslocamento amplo das preferências presidenciais. A estabilidade do voto predomina, embora uma pequena parcela tenha ficado indecisa ou tenha reconsiderado sua escolha.
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