Debate em Rio Verde reúne dois candidatos e coloca Master, agro e energia no centro
Com a presença de Luis Cesar Bueno e Marconi Perillo, encontro realizado no Sudoeste goiano teve como temas centrais a relação do tucano com o Banco Master, o gargalo de energia e críticas à extinta taxa do agro.

Divulgação
O terceiro debate da eleição em Goiás, realizado em Rio Verde, contou com a presença de apenas dois dos quatro principais candidatos ao governo do Estado: Luis Cesar Bueno (PT) e Marconi Perillo (PSDB). O encontro, sediado no Sudoeste goiano, evidenciou demandas consideradas prioritárias para a região, especialmente o custo da energia, o financiamento da produção rural e os impactos da extinta taxa do agro.
O questionamento mais incisivo da noite envolveu a relação de Marconi com o Banco Master. A jornalista Ravena Carvalho perguntou ao tucano sobre pagamentos recebidos da instituição entre 2022 e 2025, que somaram R$ 14,5 milhões. O banco está associado a investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro por suspeitas de fraudes financeiras.
Marconi defendeu a quebra total dos sigilos e afirmou que declarou os valores recebidos na declaração de Imposto de Renda. Segundo o candidato, a relação começou em 2021, quando ele não ocupava cargo público, e estava relacionada a serviços de consultoria administrativa e informações sobre o cenário político brasileiro. Ao responder, também acusou o governo de Goiás de contratar serviços de consignado do Master por valor excessivo.
Gargalo de energia domina as propostas
A energia foi um dos pontos mais cobrados pelos representantes das entidades empresariais presentes. Luis Cesar Bueno atribuiu as dificuldades do setor à privatização da Celg, ocorrida durante o governo de Marconi, e à posterior venda da Eletrobras no governo de Jair Bolsonaro. Para o petista, a solução passa por um processo de reestatização e por novos investimentos na infraestrutura elétrica.
Marconi rebateu a acusação e afirmou que a federalização e a venda da antiga estatal ocorreram no governo de Dilma Rousseff. O tucano prometeu destinar R$ 1 bilhão no primeiro ano de um eventual governo, por meio de crédito, isenções tributárias e subsídios, para acelerar o atendimento às empresas. Ele também anunciou que cobrará metas mais rigorosas da Aneel e das concessionárias responsáveis pela distribuição.
Candidatos criticam a taxa do agro
A taxa do agro, revogada no início do ano pelo então governador Ronaldo Caiado, também recebeu críticas dos dois postulantes. Marconi afirmou que o produtor rural foi “sugado” sem receber contrapartidas proporcionais. Luis Cesar Bueno classificou a criação do tributo como um erro, especialmente em um momento de pressão sobre o crédito, taxações internacionais e instabilidade climática na produção.
Marconi defendeu ainda a ampliação de mecanismos de securitização para produtores endividados. Segundo ele, a inadimplência no campo exige alternativas que preservem a capacidade de investimento sem penalizar quem produz. O debate mostrou que agro, energia e crédito continuarão no centro da disputa pelo Palácio das Esmeraldas.
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