PF diz que “Mineiro” montou estrutura para movimentar recursos ilícitos do Banco Master
Polícia Federal afirma que empresas de Antônio Carlos Freixo Júnior operaram repasses ligados ao Banco Master, incluindo US$ 12,3 milhões enviados aos Estados Unidos para o filme “Dark Horse”. Investigação busca esclarecer a origem e os beneficiários finais dos recursos.

Divulgação
A Polícia Federal afirma que Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, organizou uma estrutura empresarial para operar parte do fluxo financeiro ilícito associado ao Banco Master. A conclusão integra a representação da PF no inquérito 5070, cujo teor foi liberado nesta sexta-feira (11) após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de procedimentos relacionados ao caso.
Freixo firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República, homologado em 9 de setembro por Mendonça. Os depoimentos e documentos entregues agora são confrontados com informações bancárias, fiscais e financeiras reunidas pelas autoridades.
Empresas no centro da análise
Segundo a PF, a estrutura envolvia principalmente a Entre Investimentos e Participações Ltda., a Entrepay Instituição de Pagamentos S.A., liquidada pelo Banco Central, e a Cactus Assessoria e Serviços Ltda. A investigação tomou como base o Relatório de Inteligência Financeira 144413, produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), além de dados obtidos em dispositivos de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
O relatório do Coaf reuniu 168 comunicações de operações suspeitas envolvendo direta ou indiretamente os principais investigados. As transações examinadas ocorreram entre 24 de janeiro de 2019 e 24 de maio de 2026 e foram identificadas após indícios de lavagem de dinheiro ou de outros crimes financeiros.
Recursos enviados aos Estados Unidos
A Entre Investimentos, pertencente a Freixo, também aparece no fluxo relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com a PF, a companhia foi utilizada para enviar recursos ao Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos. O fundo era administrado por uma empresa ligada a Altieres Santana e a Paulo Sergio Camin Calixto, apontado pela polícia como advogado de Eduardo Bolsonaro (PL).
A corporação afirma que o Banco Master investiu aproximadamente R$ 614 milhões em empresas do Grupo Entre. Para os investigadores, a escolha da Entre Investimentos para realizar remessas internacionais não ocorreu de forma aleatória. Em mensagem citada pela PF, Vorcaro orientou Fabiano Zettel a efetuar um pagamento destinado ao filme “via entre”.
No caso da produção cinematográfica, a PF identificou repasses da Entre Investimentos ao Havengate que somaram US$ 12,3 milhões em 2025. O contrato previa financiamento total de US$ 24 milhões, e os valores transferidos correspondiam, na prática, às parcelas estabelecidas no acordo. O fundo havia sido criado para um projeto imobiliário no Texas que não foi adiante e recebeu a primeira remessa relacionada ao filme, de US$ 2 milhões, em fevereiro de 2025.
Investigação busca beneficiários finais
O relatório do Coaf também registra que Freixo era chamado de “pioneiro nas Bahamas” por causa de estruturas offshore que teria montado no país. Em 2 de dezembro de 2025, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) rejeitou uma proposta de Termo de Compromisso apresentada por Freixo, pela Entre Investimentos, pelo Banco Master e por Vorcaro.
A Polícia Federal pediu o aprofundamento das investigações para esclarecer a origem, o trânsito e a destinação dos valores, além da identidade dos beneficiários finais. A corporação também quer definir o papel de Freixo, Flávio Bolsonaro (PL), Eduardo Bolsonaro, Mario Frias (PL) e demais envolvidos na estruturação, cobrança, execução e aplicação dos aportes.
As afirmações integram um pedido investigativo e ainda serão analisadas pela Justiça, não equivalendo a condenação. Procurados pela reportagem, os envolvidos não apresentaram manifestação até a publicação deste texto.
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