Licença-paternidade remunerada está associada a menor risco de depressão em homens
Estudo com 4.290 pais de primeira viagem nos Estados Unidos encontrou menor probabilidade de depressão e ansiedade entre aqueles que tiveram afastamento remunerado. Dados também mostram que a necessidade de preservar a renda impede muitos homens de cuidar dos filhos nos primeiros dias.

Divulgação
Pais de primeira viagem que tiveram acesso à licença-paternidade remunerada apresentaram menor probabilidade de depressão e ansiedade do que os homens que precisaram trabalhar ou se afastar sem receber salário. A constatação reforça a relação entre segurança financeira, tempo para cuidar do recém-nascido e saúde mental durante a chegada de um filho.
Proteção financeira e saúde mental
Pesquisadores da Universidade Northwestern e do Hospital Infantil Ann & Robert H. Lurie analisaram dados de 4.290 participantes da Pesquisa sobre a Paternidade em Ohio, realizada entre 2022 e 2023. O estudo examinou diferentes condições de afastamento e seus possíveis vínculos com sintomas de depressão e ansiedade.
Os homens que usaram apenas licença não remunerada tiveram chance de ansiedade até 58% maior em comparação com aqueles cujo afastamento foi pago. A diferença sugere que a manutenção da renda durante os primeiros dias de cuidado pode aliviar parte da pressão vivida pelos pais, especialmente em famílias com orçamento limitado.
Motivos financeiros impedem o afastamento
A situação foi mais preocupante entre os pais que não tiraram licença. Nesse grupo, 75% relataram depressão e 71% apresentaram ansiedade. Os motivos financeiros foram citados por 75% dos homens como obstáculo para deixar o trabalho temporariamente, mostrando que o direito formal nem sempre se transforma em acesso real ao benefício.
Esses dados indicam que a decisão de ficar ou não ao lado do recém-nascido costuma envolver mais do que a relação do pai com o trabalho. A possibilidade de abrir mão do salário, a estabilidade do emprego e o apoio oferecido pelo empregador podem determinar quem consegue exercer plenamente o cuidado parental.
Resultado reforça o debate sobre políticas públicas
Os achados apontam a licença remunerada como um possível instrumento de apoio psicológico na transição para a paternidade. O período de afastamento pode favorecer o vínculo com o bebê, a divisão de responsabilidades com a mãe e a adaptação da família à nova rotina.
Os pesquisadores destacam que se trata de uma análise observacional. Por isso, os resultados demonstram uma associação, mas não comprovam, isoladamente, uma relação de causa e efeito entre licença paga e melhora da saúde mental. Mesmo com essa limitação, o estudo amplia o debate sobre a ampliação das políticas de afastamento parental e a necessidade de incluir os homens nas ações de proteção psicológica nesse período.
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