Vorcaro ofereceu casa para jantar com ator e diretor de “Dark Horse”
Mensagens integradas a um inquérito da Polícia Federal mostram que Daniel Vorcaro ofereceu sua casa para um jantar com Jim Caviezel e Cyrus Nowrasteh. O mesmo fluxo de conversas trata de parcelas relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, cuja investigação teve novos sigilos quebrados pelo STF.

Divulgação
O empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, ofereceu a própria casa para um jantar com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh, envolvidos no filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. A proposta surgiu em uma troca de mensagens com o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, em 22 de outubro de 2025.
Jantar e contato com envolvidos no filme
Flávio perguntou ao empresário se ele teria interesse em se encontrar com Caviezel e Nowrasteh. Vorcaro respondeu que “topava” e sugeriu receber os convidados em sua casa. O senador avaliou positivamente a ideia e afirmou que a residência do empresário seria, inclusive, um local melhor para o encontro.
Nas mensagens, Vorcaro também questionou por quanto tempo o ator e o diretor permaneceriam em São Paulo. Flávio informou que Caviezel chegaria em 30 de outubro e provavelmente ficaria na capital paulista durante a semana para trabalhar nas gravações. A investigação aponta que o jantar foi posteriormente remarcado para 6 de novembro.
Conversas também tratam de financiamento
No mesmo dia, Flávio e Vorcaro discutiram uma parcela do financiamento do filme que ainda não havia sido paga. A Polícia Federal afirma que o senador informou estar a produção no terceiro dia de gravação e que a equipe trabalhava “no limite” do orçamento disponível. Flávio teria pedido que o empresário o avisasse caso não conseguisse cumprir o repasse, para que pudesse buscar “outro caminho urgente”.
De acordo com a PF, Vorcaro respondeu que resolveria a situação naquele momento. As mensagens que registraram o convite e as tratativas financeiras fazem parte do inquérito que apura a captação de recursos para “Dark Horse”. A proximidade entre os assuntos no fluxo de conversas reforça o interesse da investigação, mas, por si só, não estabelece a existência de contrapartida ou irregularidade.
A apuração também registra que, em 22 de outubro, o empresário Thiago Miranda, então proprietário do portal Leo Dias, pediu a Vorcaro a liberação de novas parcelas destinadas à produção. O fundador do Banco Master respondeu que havia liberado “mais uma”. O contrato era estimado em US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 122 milhões, e os repasses atribuídos a Vorcaro chegaram a US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 62,3 milhões na conversão apresentada na investigação.
STF libera acesso a mais processos
Em 11 de setembro de 2026, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo de novos procedimentos ligados às investigações sobre o Banco Master. A decisão atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República pela disponibilização integral dos autos, e Mendonça determinou ainda a abertura de outros 21 procedimentos relacionados ao caso.
O material inclui o inquérito sobre o financiamento de “Dark Horse”. A Polícia Federal aponta Flávio Bolsonaro como interlocutor de Vorcaro na captação dos recursos e sustenta que o dinheiro foi administrado posteriormente pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A quebra de sigilo permite acesso público aos documentos, sem representar, por si só, julgamento sobre a responsabilidade dos investigados.
Também saem do sigilo ramificações que envolvem o senador Ciro Nogueira (PP-PI), acusado de atuar no Congresso em favor do Banco Master e de Vorcaro — conduta que ele nega —, procedimentos relacionados ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e investigações sobre uma transferência de R$ 3,6 bilhões da Rioprevidência ao Banco Master durante a gestão de Cláudio Castro no Rio de Janeiro.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








