Relatório da PF levantou suspeitas sobre pagamento de R$ 35 milhões ligado a Toffoli
Um relatório da Polícia Federal apresentado ao STF apontou indícios de que recursos enviados por Daniel Vorcaro a um fundo de investimento teriam beneficiado o ministro Dias Toffoli. O documento motivou a retirada de Toffoli da relatoria do caso do Banco Master, mas as suspeitas não equivalem a condenação.

Divulgação
Um relatório da Polícia Federal, datado de fevereiro, indicou a existência de indícios que ligavam o ministro Dias Toffoli a um pagamento de R$ 35 milhões feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro. O documento foi um dos elementos analisados pelo Supremo Tribunal Federal antes da redistribuição do caso do Banco Master, que deixou a relatoria de Toffoli e passou para o ministro André Mendonça.
Fundo e transferências sob investigação
Segundo os investigadores, Toffoli era tratado como o suposto proprietário de fato do fundo de investimento Arleen, que recebeu os R$ 35 milhões de Vorcaro. O fundo também detinha participação no resort Tayayá, empreendimento associado à família do ministro. A PF apontou ainda que a propriedade do Arleen foi transferida posteriormente para um empresário amigo de Toffoli, em uma operação que, na interpretação dos investigadores, teria como objetivo final beneficiá-lo.
Os ativos do fundo teriam sido movidos para uma conta nas Ilhas Virgens Britânicas. Mensagens interceptadas durante a investigação indicam que Vorcaro tratava os depósitos como prioridade. Em determinado momento, diante do atraso em uma transferência, o banqueiro teria informado ao cunhado, Fabiano Zettel, que a demora o colocava em uma situação difícil. Vorcaro também teria procurado Toffoli para prestar explicações sobre o episódio.
Mudança de voto no centro da suspeita
O ponto mais sensível do relatório envolve uma possível mudança de posicionamento de Toffoli em um processo sobre precatórios do setor sucroalcooleiro. A Polícia Federal pediu um aprofundamento analítico para apurar se Vorcaro teria influenciado o ministro a alterar os termos de seu voto. A suspeita ganhou relevância porque o Banco Master registrava mais de R$ 10 bilhões em precatórios desse setor em seu balanço.
As suspeitas descritas pela PF, no entanto, não significam prova de pagamento por decisão judicial ou de condenação. Elas indicam um conjunto de indícios que exigia apuração adicional e ampla defesa dos envolvidos. A investigação buscava estabelecer se havia relação direta entre os recursos, a mudança no voto e os interesses econômicos do Banco Master.
STF redistribuiu o caso do Banco Master
O relatório foi discutido em uma reunião sigilosa entre ministros do Supremo, que resultou no afastamento de Toffoli da relatoria. Durante o encontro, parte da Corte resistiu à redistribuição, e o ministro Flávio Dino classificou o documento como lixo jurídico. Mesmo assim, os ministros aceitaram a mudança, articulada pelo presidente do STF, Luiz Fux? Não: na ocasião, a presidência era de Rodrigo Pacheco no plenário? Para evitar imprecisão, diga: pela articulação interna da Corte, que buscava uma saída institucional para o impasse.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.







