Flávio agradece Vorcaro por financiamento de filme sobre Bolsonaro
Análise da Polícia Federal sobre mensagens do fundador do Banco Master registra agradecimento do senador e cobranças relacionadas às parcelas de Dark Horse. O contrato previa aporte de US$ 24 milhões, enquanto a PF aponta remessas de US$ 12,3 milhões a um fundo nos Estados Unidos.

Divulgação
A Polícia Federal registrou, em análise sobre mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, um agradecimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O material integra processos cujo sigilo foi retirado em 11 de setembro de 2026 pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Em 7 de novembro de 2025, Flávio afirmou que a produção só estava acontecendo graças ao apoio de Vorcaro. O banqueiro respondeu: “Que demais. Ficou ferfeito”. O agradecimento foi enviado por mensagem de visualização única, recurso que apaga o conteúdo após a abertura.
Cobranças antes da prisão
As mensagens também mostram cobranças relacionadas ao pagamento das parcelas do financiamento. Em 10 e 12 de novembro, Thiago Miranda, responsável por intermediar o contato entre Flávio e Vorcaro, voltou a pedir o pagamento ao banqueiro, sem obter resposta. Em 16 de novembro, o senador solicitou “uma luz” sobre o dinheiro. Vorcaro foi preso no dia seguinte, ao tentar embarcar em um jato particular.
Segundo a PF, Flávio passou a cobrar Vorcaro pessoalmente em agosto de 2025. Em áudio enviado em 8 de setembro, o senador demonstrou temor de “dar calote” no ator Jim Caviezel e no diretor Cyrus Nowrasteh. Em 22 de outubro, com as gravações em andamento, informou que a produção estava “no limite” e pediu que o banqueiro avisasse caso não pudesse mais financiar o projeto.
Contrato e remessas internacionais
O contato entre os envolvidos começou em dezembro de 2024, em reunião organizada por Thiago Miranda para tratar do “filme do presidente”. O deputado federal Mário Frias (PL-SP), apresentado como idealizador do projeto, também participou. Semanas depois, foi enviada a Vorcaro uma minuta de financiamento com o título provisório Capitão do Povo, posteriormente substituído por Dark Horse.
O contrato previa aporte de US$ 24 milhões, divididos em 14 parcelas. A PF informa que Vorcaro orientou o envio dos recursos “via Entre”, referência à Entre Investimentos e Participações, ligada a Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, apontado pela investigação por estruturas offshore nas Bahamas.
Entre fevereiro e setembro de 2025, a Entre realizou sete remessas internacionais totalizando US$ 12,3 milhões ao Havengate Development Fund LP, fundo registrado no Texas, nos Estados Unidos. De acordo com a PF, a empresa havia sido criada para um projeto imobiliário que não saiu do papel e permaneceu inativa por quase quatro anos antes de receber os valores relacionados ao filme.
O fundo é administrado por Altieris Santana, corretor de imóveis nos Estados Unidos, e pelo advogado Paulo Sérgio Camin Calixto. A PF também afirma ter encontrado mensagem repassada por Thiago Miranda na qual Eduardo Bolsonaro teria pedido o envio do “máximo de dinheiro possível” ao exterior.
Investigação sobre o Banco Master
O iPhone de Vorcaro foi apreendido durante a Operação Compliance Zero, que apura uma suposta fraude de cerca de R$ 12 bilhões em operações de cessão de carteiras de crédito envolvendo o Banco Master e o BRB. A PF não conseguiu recuperar o conteúdo completo das mensagens apagáveis, mas interpretou o uso recorrente do recurso como indício de tentativa de evitar registros das tratativas.
As informações fazem parte de uma investigação em andamento e não representam, por si só, condenação dos envolvidos. O inquérito sobre o financiamento de Dark Horse passou a integrar o conjunto de documentos com sigilo retirado pelo STF após pedido da Procuradoria-Geral da República.
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