Probabilidade de El Niño muito forte passa de 90%
Projeção climática indica chance superior a 90% de El Niño muito forte na primavera e no verão de 2026–2027. Fenômeno pode reduzir chuvas no Norte e Nordeste e elevar o risco de volumes acima da média no Sul.

Divulgação
Projeção registra avanço significativo do fenômeno
A probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte durante a primavera e o verão de 2026–2027 no Hemisfério Sul passou de 90%. A estimativa integra a mais recente projeção do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, divulgada em 10 de setembro de 2026.
O cenário também indica 75% de chance de o episódio se tornar o mais intenso registrado desde 1950. A elevação das probabilidades acompanha o aquecimento persistente das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, principal indicador used para acompanhar a formação e o desenvolvimento do El Niño.
Monitoramento mostra fortalecimento desde o meio do ano
O fim do La Niña foi identificado em abril. Entre maio e julho, os modelos já apontavam possibilidade de transição para o El Niño. Em maio, a probabilidade de formação do fenômeno havia subido para 82%, e, em junho, as condições características do El Niño já eram observadas, embora ainda em fase inicial.
Desde então, os indicadores vêm confirmando um fortalecimento mais rápido do que o esperado. Em agosto, as anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Leste ultrapassaram 3 °C, sinal de aquecimento relevante e compatível com um episódio de grande intensidade.
Chuvas devem variar de forma marcada pelo país
No Norte e no Nordeste, o El Niño costuma favorecer chuvas abaixo da média. A redução dos volumes pode pressionar os níveis de rios e reservatórios, dificultar a navegação, limitar o acesso a comunidades ribeirinhas e afetar a pesca, a aquicultura e o abastecimento de água.
Nas regiões Sul e parte do Sudeste, o fenômeno pode aumentar a ocorrência de chuvas acima do normal. O excesso de água eleva o risco de enchentes, perdas agrícolas e danos a estradas, barragens, viveiros e outras estruturas utilizadas na pesca e na produção aquícola.
Goiás exige acompanhamento das lavouras e pastagens
Para Goiás e o Centro-Oeste, os efeitos podem variar conforme a distribuição das chuvas e a evolução das temperaturas. Mesmo sem um padrão único para toda a região, produtores precisam acompanhar previsões de curto prazo, a disponibilidade de água no solo e o comportamento das culturas e pastagens.
Temperaturas elevadas podem intensificar a perda de água por evaporação e aumentar a demanda hídrica das lavouras. O monitoramento contínuo será essencial para orientar o plantio, o manejo da irrigação, a conservação de pastos e a prevenção de perdas relacionadas ao estresse climático.
As projeções indicam tendência, não um resultado definitivo. A atuação de outros sistemas atmosféricos ainda poderá alterar a distribuição regional das chuvas, mas o aquecimento já observado no Pacífico reforça a necessidade de preparação diante de um possível El Niño muito forte.
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