Ministro diz que missão chinesa deve auditar frigoríficos no Brasil
André de Paula espera a reabilitação de frigoríficos suspensos e avanços na habilitação de novas unidades. Visita técnica ainda não tem confirmação formal da China.

Divulgação
O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que uma missão técnica da China deve vir ao Brasil na próxima semana para auditar frigoríficos e avaliar procedimentos do sistema sanitário nacional. A expectativa do governo é obter a reabilitação de plantas com vendas suspensas e avançar na habilitação de novas unidades para exportação.
Visita ainda não tem confirmação oficial
A agenda, porém, ainda não foi confirmada pelo Ministério da Agricultura. As datas cogitadas vão de 19 a 28 de setembro, mas a visita não foi formalizada pelas autoridades chinesas e o deslocamento dos técnicos ainda não está totalmente definido. Por enquanto, o anúncio representa uma expectativa do governo brasileiro, e não uma programação confirmada por Pequim.
Auditoria deve abranger diferentes cadeias
A missão não deve se restringir ao segmento bovino. A previsão é que os técnicos chineses conheçam plantas de aves e suínos, laboratórios e fazendas. No caso da carne bovina, ao menos três frigoríficos exportadores devem ser vistoriados: a unidade da JBS em Vilhena (RO), suspensa para o mercado chinês desde maio; a planta da Minerva em Rolim de Moura (RO); e a unidade da Marfrig em Promissão (SP).
Também integram a lista de estabelecimentos bovinos com vendas bloqueadas a JBS de Pontes e Lacerda (MT), a Prima Foods em Araguari (MG), a Frialto em Matupá (MT) e a SulBeef, em Várzea Grande (MT). Na cadeia de aves, a Copacol, de Cafelândia (PR), está impedida de comercializar produtos com a China. Atualmente, não há bloqueios registrados para frigoríficos de carne suína.
Resíduos motivam suspensões
O principal motivo para as suspensões temporárias de abatedouros bovinos é a identificação de resíduos em cargas brasileiras que chegam aos portos chineses. As notificações indicam descumprimento de requisitos sanitários relacionados a produtos de origem animal exportados pelo Brasil.
Diante da recorrência das notificações, o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) determinou que os frigoríficos habilitados a exportar carne bovina para a China realizem ajustes em seus programas de autocontrole no prazo de dez dias. As empresas deverão revisar as análises de risco envolvendo resíduos de medicamentos veterinários, antiparasitários e outras substâncias de interesse do mercado chinês.
O departamento também exigiu critérios mais rigorosos para qualificar e monitorar fornecedores de animais. Segundo o Dipoa, declarações ou cartas de garantia não devem ser a única medida de controle quando a avaliação de risco indicar a necessidade de verificações adicionais. Estabelecimentos com falhas repetidas deverão ampliar testes, aumentar a frequência de inspeções e revisar requisitos para a produção destinada à China.
Expectativa de avanços nas exportações
André de Paula demonstrou otimismo com a possível reabertura de plantas suspensas e com a habilitação de novos frigoríficos. O ministro também espera avanços nas negociações para iniciar as exportações de miúdos bovinos e suínos.
A China reconheceu neste ano o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. A medida abre caminho para futuras autorizações de mercado e para o credenciamento de plantas brasileiras, potencialmente ampliando o acesso de diferentes produtos pecuários ao maior importador mundial de carnes.
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