Arena Impacto mostra como a inteligência artificial muda os negócios
Primeira edição do evento reuniu líderes de empresas e instituições para discutir como a inteligência artificial pode transformar o agronegócio, integrar dados e acelerar decisões no campo.

Divulgação
A primeira edição do Arena Impacto reuniu líderes do agronegócio, da tecnologia e de outros setores para discutir um tema que deixou de ser uma promessa distante: a aplicação prática da inteligência artificial nos negócios. O encontro mostrou que a tecnologia avança rapidamente e exige novas formas de gestão, produção e tomada de decisão no campo.
Da teoria à aplicação no agronegócio
Denis Arroyo, vice-presidente global da Solinftec, resumiu o objetivo do evento ao afirmar que a proposta era preparar o terreno para o uso da inteligência artificial. Para ele, todas as tecnologias disponíveis podem ser aplicadas ao agronegócio, desde que sejam adaptadas à realidade das operações e integradas ao conhecimento de quem trabalha no campo.
A programação reuniu representantes de empresas e instituições como Amazon, Siemens, Oracle, Fundação Dom Cabral, Ânima Educação, Ambev e GWM, além de especialistas em tecnologia e negócios. A participação de diferentes setores reforçou a necessidade de levar ao agro experiências já testadas em outras atividades econômicas.
Tecnologia precisa gerar impacto real
O formato do evento foi inspirado em uma visita de Arroyo ao Brazil at Silicon Valley, na Califórnia. Segundo ele, a experiência mostrou que muitas soluções consideradas futuristas já estão em uso. Essa percepção deu origem ao Arena Impacto, organizado pela Solinftec em parceria com Valor Econômico e Globo Rural.
Para a Solinftec, o encontro também faz parte de uma estratégia mais ampla. A empresa busca se consolidar como parceira na transformação tecnológica de seus clientes, indo além da venda de produtos. A ideia é compartilhar conhecimento, estimular debates e aproximar diferentes elos da cadeia produtiva.
Dados agrícolas ainda são pouco transformados em decisão
Um dos principais desafios apresentados foi a transformação de dados em informações úteis. O agronegócio coleta volumes crescentes de dados por meio de satélites, drones, estações meteorológicas, sensores de solo, monitores de colheita e sistemas de telemetria. Apesar disso, grande parte desse material ainda não é usada de forma contínua para orientar decisões.
Silvio Meira, cientista-chefe da TDS Company, destacou que o setor precisa superar a distância entre coletar dados e aprender com eles. Na avaliação do especialista, a experiência, a relação pessoal e a intuição ainda pesam muito nas decisões agrícolas. A maturidade tecnológica, segundo ele, exige transformar a operação em um sistema capaz de medir, decidir e aprender.
IA exige adaptação às operações
Ricardo Cavallini, autor de livros sobre tecnologia e negócios, defendeu a adoção acelerada da inteligência artificial. Em sua avaliação, esperar que outros setores testem primeiro pode aumentar o atraso. A tecnologia, segundo ele, não chega pronta e precisa ser adaptada por quem conhece os processos por dentro.
Exemplos apresentados no evento mostram aplicações já em funcionamento, como fazendas que usam imagens de câmeras para estimar o peso de suínos. Fora do agro, a GWM relatou a produção de um comercial com apoio de inteligência artificial, reduzindo de 15 dias para dois dias o tempo necessário para concluir o trabalho.
A mensagem central do Arena Impacto foi que a inteligência artificial não deve ser tratada como uma ferramenta isolada. Seu potencial depende da integração entre dados, pessoas, processos e conhecimento técnico. Para o agronegócio, a transformação começa quando a tecnologia deixa de ser novidade e passa a produzir resultados concretos na produção e na gestão.
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