Lula critica Faria Lima e defende investimentos em educação
Presidente criticou o mercado financeiro, relacionou o pagamento de juros à redução de recursos para políticas públicas e defendeu investimentos em educação, inteligência artificial e minerais críticos.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o mercado financeiro durante entrevista ao SBT nesta quinta-feira (10). Ao ser questionado sobre como equilibrar as contas públicas sem ampliar a dívida, Lula defendeu a ampliação dos investimentos em educação e afirmou que os juros consomem recursos que poderiam ser direcionados a políticas sociais.
“A Faria Lima só chora. Não conhece a palavra social. A Faria Lima não conhece a palavra inclusão”, declarou. Para o presidente, o setor financeiro prioriza a rentabilidade. “A única inclusão que eles conhecem é a taxa de juro para eles receberem dinheiro que eu poderia estar gastando na educação”, completou.
Educação, inteligência artificial e minerais críticos
Lula sinalizou que, em eventual quarto mandato, a expansão do ensino em tempo integral será uma prioridade. Ele também defendeu a criação de novos cursos voltados ao desenvolvimento tecnológico e à exploração estratégica de minerais críticos, insumos essenciais para setores como energia, eletrônicos e defesa.
O presidente voltou a defender investimentos em inteligência artificial para formar trabalhadores brasileiros no setor. Na avaliação dele, o mundo digital representa uma oportunidade para jovens que buscam ascensão profissional. “É a bola da vez para a molecada que quer progredir”, afirmou.
Responsabilidade fiscal no centro do debate
As declarações ocorrem em um cenário de pressão sobre as contas públicas. A dívida bruta do governo está em 82,5% do PIB, equivalente a aproximadamente R$ 10,9 trilhões. O indicador cresceu 10,8 pontos percentuais ao longo do terceiro mandato de Lula, ampliando o debate sobre gastos, investimentos e sustentabilidade fiscal.
Lula rebateu possíveis críticas à sua administração e afirmou ter sido o único presidente do G20 a registrar superavit em todos os anos de seus dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010. A comparação, porém, exige uma ressalva: a Argentina também apresentou saldos positivos consecutivos no período.
“Ninguém neste país tem autoridade para falar de autoridade fiscal comigo”, disse o presidente. Ele acrescentou que aprendeu a administrar suas contas de forma responsável ainda na infância, com a mãe, dona Lindu. “A gente só gasta aquilo que a gente tem”, afirmou.
O embate político reforça um dos principais desafios econômicos do governo: conciliar o controle dos indicadores fiscais com a ampliação de investimentos em áreas sociais e estratégicas. A proposta de priorizar educação e tecnologia deverá ganhar maior relevância à medida que avançar o debate sobre os rumos da economia e das contas públicas.
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