Encontros de Castro com Vorcaro coincidem com aportes no Master, diz PF
Relatório da Polícia Federal aponta coincidência temporal entre encontros de Cláudio Castro e Daniel Vorcaro e investimentos do Rioprevidência no Banco Master.

Divulgação
Um relatório da Polícia Federal aponta uma coincidência temporal entre encontros do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e os aportes financeiros realizados pelo Rioprevidência no Banco Master. Os investimentos chegaram a R$ 3,7 bilhões e são alvo de apuração das autoridades.
Sequência de encontros chamou atenção
Os documentos apresentam uma linha do tempo com reuniões e atividades identificadas entre Castro e Vorcaro. Entre os episódios registrados está um jantar em Nova York, em maio de 2023, pago por Vorcaro no valor de R$ 66 mil. Outros encontros ocorreram antes e depois do primeiro aporte do fundo de pensão ao banco.
A cronologia também cita reuniões em julho e novembro de 2023, além de novos contatos em março, maio e julho de 2024. Em março daquele ano, um dos encontros aconteceu em Nova York durante o período em que Castro participava do Lide Brazil Investment Forum. Em maio, houve uma degustação de bebidas na mesma cidade com a presença dos dois.
Aportes ao Banco Master
Segundo a investigação, o Rioprevidência, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos do estado do Rio, realizou nove aportes no Banco Master entre novembro de 2023 e julho de 2024. A Polícia Federal afirma que esse período foi “permeado, com coincidência temporal”, pelos encontros entre o ex-governador e o ex-banqueiro.
A PF não apresentou, no trecho divulgado, uma conclusão definitiva sobre a existência de relação causal entre os contatos e as decisões de investimento. A coincidência de datas, no entanto, passou a integrar o conjunto de elementos analisados no caso, que envolve a aplicação de recursos públicos e a governança do fundo previdenciário.
Documentos tiveram sigilo quebrado
O conteúdo ganhou acesso público após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinar a quebra de sigilo de documentos relacionados ao caso. A medida permitiu a divulgação de informações sobre a movimentação de recursos e os contatos entre as pessoas investigadas.
Ex-governador não se manifestou
Procurada para comentar as investigações, a assessoria de Cláudio Castro não apresentou resposta até a conclusão desta reportagem. A ausência de manifestação não impede que novas informações sejam incluídas caso o ex-governador decida se pronunciar sobre o relatório da Polícia Federal.
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