Correios recorrem ao Tst para tentar encerrar greve
Estatal pediu ao TST a solução do dissídio coletivo após trabalhadores rejeitarem a proposta para o acordo de 2026/2027. Disputa sobre o plano de saúde ocorre em meio a prejuízo acumulado de aproximadamente R$ 5,6 bilhões.

Divulgação
A direção dos Correios entrou com um pedido de dissídio coletivo de greve no Tribunal Superior do Trabalho (TST) na sexta-feira (11 de setembro de 2026), um dia após o início da paralisação por tempo indeterminado. A medida busca a intervenção da Justiça do Trabalho para solucionar o conflito e abrir caminho para o encerramento do movimento. A decisão foi tomada depois que os empregados rejeitaram a proposta da estatal para o acordo coletivo de 2026/2027.
Plano de saúde concentra as principais divergências
A Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect) informou que 35 assembleias aprovaram a greve. Segundo a entidade, a paralisação ocorreu após sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no TST, sem avanço suficiente para a assinatura de um acordo.
O ponto mais sensível da discussão é o plano de saúde oferecido a empregados, aposentados e dependentes. Os trabalhadores se opõem à mudança proposta pela empresa na condição dos Correios como mantenedores do benefício. Para a Findect, a alteração pode transferir mais custos para os empregados e comprometer a manutenção da assistência médica.
Os Correios afirmam que a proposta preserva 78 das 80 cláusulas do acordo anterior e prevê recomposição integral pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) para salários e benefícios. A estatal sustenta que busca conciliar os direitos dos trabalhadores com a necessidade de recuperar o equilíbrio financeiro da empresa.
Prejuízo acumulado aumenta pressão sobre a negociação
O impasse ocorre em um momento de forte deterioração das contas da estatal. Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 2,39 bilhões no segundo trimestre de 2026. No primeiro trimestre, o resultado negativo havia sido de R$ 3,16 bilhões, levando o prejuízo acumulado do ano a aproximadamente R$ 5,6 bilhões.
A empresa também negocia um novo empréstimo de R$ 7 bilhões com garantia do Tesouro Nacional. A operação integra o plano de reestruturação financeira e será somada aos R$ 12 bilhões em crédito já contratados em 2025. O cenário reforça a pressão por uma solução que reduza os impactos da greve e permita a retomada plena das atividades.
No pedido apresentado ao TST, os Correios defendem o fim da paralisação. A Findect, por sua vez, orientou os trabalhadores a manter o movimento e ampliar a mobilização a partir da segunda-feira (14). A estatal informou que adotou o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e ajustes logísticos para reduzir os efeitos da greve. Segundo a empresa, as agências continuam abertas e as ações buscam preservar a continuidade dos serviços.
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