Dino cita prisões durante sessão do STF e gera alerta entre advogados
Durante julgamento relacionado a Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, Flávio Dino disse ter chegado atrasado porque estava “decretando prisão de gente”. A fala, feita em tom de humor, chamou atenção por causa dos inquéritos sensíveis sob relatoria do ministro.

Divulgação
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), provocou atenção entre advogados e operadores do Direito ao afirmar que chegou atrasado à sessão desta terça-feira (15 de setembro de 2026) porque estava “decretando prisão de gente”. A declaração foi feita durante um julgamento relacionado ao ministro Alexandre de Moraes e a Daniel Vorcaro, fundador do Master.
Fala foi feita em contexto de humor
A manifestação ocorreu durante uma conversa descontraída com Edson Fachin, presidente do STF, sobre a quantidade de processos e petições analisados nos últimos dias. Dino perguntou se Fachin havia visto um vídeo do humorista Fábio Porchat e comparou a rotina dos dois com a cena apresentada na gravação.
“Vossa Excelência viu o vídeo do Fábio Porchat? É um vídeo muito bom porque nós estamos parecidos. Eu cheguei atrasado porque eu estava decretando prisão de gente, porque é tanta petição, presidente”, disse Dino. A fala não apresentou detalhes sobre eventuais decisões, investigados ou pedidos analisados antes da sessão.
Casos sensíveis estão sob relatoria de Dino
A repercussão da frase se deve ao conjunto de investigações conduzidas pelo ministro. Dino é relator dos inquéritos sobre o filme “Dark Horse” e sobre supostos desvios de emendas parlamentares que têm como alvo o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
O ministro também responde por um dos inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado por suspeita de tráfico de influência. Por isso, qualquer manifestação sobre prisões, pedidos ou andamento processual tende a ser acompanhada com atenção por advogados envolvidos em ações de grande repercussão no STF.
Dino explicou a referência ao vídeo de Porchat
Ao justificar a comparação, Dino afirmou que a sátira tratava de jornalistas, mas também poderia ser aplicada aos ministros do tribunal. Fachin respondeu que ainda não havia assistido à gravação porque precisou analisar ofícios recebidos pela Corte. “Eu não tive tempo, eu estou vendo os ofícios que chegaram e eles são hemorrágicos”, disse o presidente do STF.
O vídeo de Fábio Porchat foi publicado no sábado (12 de setembro). Nele, o humorista aparece de pijama, deitado na cama, fingindo falar em nome de jornalistas para pedir uma trégua diante de novidades divulgadas fora do horário comercial.
“Pelo amor de Deus, faça alguma coisa para impedir o STF dessas barbaridades. Eu sei que vocês não estão acostumados a trabalhar no horário comercial, mas ninguém aguenta mais quebra de sigilo às 23h”, diz Porchat na gravação citada por Dino. A sátira reforça o debate sobre o ritmo dos trabalhos e a repercussão das decisões judiciais.
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