Campanha de Lula resgata trajetória de Moraes para reduzir associação com o presidente
Aliados de Lula querem usar a indicação de Alexandre de Moraes por Michel Temer e decisões anteriores contra o petista para contestar a tentativa da oposição de vincular o ministro ao governo e à campanha eleitoral.

Divulgação
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a resgatar a trajetória de Alexandre de Moraes antes de sua chegada ao Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia busca reduzir a associação entre o ministro e o petista, destacando que Moraes foi indicado à Corte por Michel Temer (MDB) e adotou posições contrárias a Lula antes e depois de assumir uma cadeira no tribunal.
Indicação por Temer e passagem pelo governo paulista
Moraes foi indicado ao STF em 2017, durante o governo Temer. Antes disso, ocupou o Ministério da Justiça e Segurança Pública e exerceu funções no governo de São Paulo, incluindo as secretarias da Justiça e da Defesa da Cidadania e da Segurança Pública, ambas durante gestões de Geraldo Alckmin, à época no PSDB.
Decisões e episódios de confronto com o PT
O grupo de Lula pretende lembrar episódios que, na avaliação dos aliados, contrariam a ideia de alinhamento político entre o presidente e o ministro. Petistas de São Paulo criticam a atuação de Moraes à frente da Segurança Pública em confrontos envolvendo a Polícia Militar e manifestantes, especialmente durante protestos contra a reorganização da rede estadual de ensino e contra o aumento da tarifa de transporte.
No STF, Moraes também votou em 2018 pela rejeição de habeas corpus apresentado pela defesa de Lula, que questionava a execução provisória da pena. O petista estava preso desde abril daquele ano, após ser condenado no caso do tríplex do Guarujá. A decisão é tratada pela campanha como mais um elemento para sustentar que a relação institucional entre ambos não representa afinidade política.
Tentativa de separar o Banco Master da eleição
A campanha também quer afastar Lula da crise envolvendo Moraes e o STF no caso Banco Master. A orientação é tratar o episódio como um problema do Judiciário e evitar que ele seja incorporado ao centro da disputa eleitoral. O governo defende a apuração de todos os envolvidos e sustenta que suspeitas e acusações devem ser investigadas sem exceção.
Em declaração nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, Lula afirmou que ninguém deve escapar do julgamento quando houver suspeita ou acusação. O presidente defendeu a investigação de "todos, sem distinção" e disse que o Judiciário precisa recuperar a confiança da sociedade. A campanha também pretende destacar a cronologia do Banco Master, que começou a operar durante o governo Jair Bolsonaro e foi liquidado no governo Lula.
Impacto eleitoral ainda é avaliado com cautela
No entorno do presidente, há diferentes leituras sobre os efeitos da crise do STF na campanha. Uma avaliação considera que o episódio não beneficia Lula nem Flávio Bolsonaro (PL) e deve ser visto como prejudicial ao país. Outra interpretação sustenta que o desgaste não atinge eleitoralmente o petista e que os próximos desdobramentos devem envolver o empresário Daniel Vorcaro e o senador fluminense.
Há ainda quem recomende cautela antes de medir o impacto sobre a disputa. Para esse grupo, a crise tende a influenciar mais as torcidas políticas e as narrativas eleitorais do que a campanha em si, especialmente enquanto novos desdobramentos no STF e nas investigações ainda podem alterar o cenário.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








