Campanha de Lula resgata histórico de Moraes para afastá-lo da imagem do presidente
Aliados de Lula querem destacar que Alexandre de Moraes foi indicado ao STF por Michel Temer e adotou posições contrárias ao PT antes e depois de chegar à Corte. A estratégia busca separar o presidente da crise envolvendo o ministro e o Banco Master.

Divulgação
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a resgatar a trajetória de Alexandre de Moraes antes de sua chegada ao Supremo Tribunal Federal. O objetivo é reduzir a associação entre o ministro e o presidente, explorada pela oposição durante a crise envolvendo o STF e o Banco Master.
Histórico anterior ao STF
Alexandre de Moraes foi indicado ao STF em 2017 pelo então presidente Michel Temer (MDB). Antes de assumir uma cadeira na Corte, ocupou cargos relevantes na administração pública, incluindo o Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo Temer.
Moraes também foi secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo entre 2002 e 2005, durante o governo Geraldo Alckmin, então filiado ao PSDB. Posteriormente, comandou a Secretaria de Segurança Pública paulista em 2015 e 2016, também na gestão Alckmin.
Decisões que marcaram a relação com o PT
Na Secretaria de Segurança de São Paulo, Moraes esteve à frente da pasta durante episódios de confronto entre a Polícia Militar e manifestantes. Sua atuação naquele período, especialmente em protestos relacionados à reorganização da rede estadual de ensino e à tarifa de transporte público, permanece criticada por integrantes do PT paulista.
Depois de ingressar no STF, o ministro também participou de julgamentos sensíveis para o petismo. Em 2018, votou pela rejeição do habeas corpus apresentado pela defesa de Lula contra a execução provisória da pena no caso do tríplex do Guarujá. Na ocasião, Lula já cumpria prisão após ser condenado em primeira e segunda instâncias.
Tentativa de separar a crise do Banco Master
A campanha pretende usar esse histórico para sustentar que não há alinhamento político entre Lula e Moraes. A estratégia também busca impedir que a crise envolvendo o ministro no caso Banco Master seja incorporada à disputa eleitoral do presidente.
Lula defendeu a apuração de todos os envolvidos em caso de suspeita ou acusação. O presidente afirmou que é necessário investigar “todos, sem distinção” e defendeu que o Judiciário recupere a confiança da sociedade.
Aliados também devem reforçar a cronologia do Banco Master. A instituição começou a operar durante o governo Jair Bolsonaro (PL) e teve a liquidação determinada no governo Lula, elemento usado para questionar tentativas de atribuir ao presidente a origem do problema.
Impacto eleitoral ainda é avaliado
No entorno de Lula, há diferentes avaliações sobre os reflexos da crise no STF. Uma parte considera que o episódio não favorece nem Lula nem Flávio Bolsonaro (PL) e pode ser prejudicial ao país. Outra entende que o impacto eleitoral sobre o presidente será limitado e que os próximos desdobramentos devem envolver principalmente Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro.
Outro grupo prefere aguardar novos acontecimentos antes de medir as consequências. Para essa ala, a crise tende a influenciar mais as torcidas políticas e as narrativas eleitorais do que a campanha em si. Para a equipe de Lula, porém, o ponto central continua sendo separar sua imagem da atuação individual de Alexandre de Moraes e do conflito institucional no Supremo.
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