Lula chama adversários de “mequetrefes” e diz querer fazer “muito mais”
Lula afirmou que quer fazer “muito mais” em um eventual 4º mandato, chamou adversários de “mequetrefes” e defendeu a redução dos preços de arroz e feijão. Presidente também criticou o uso do cartão de crédito e a autonomia do Banco Central.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (15 de setembro de 2026) que pretende fazer “muito mais” em um eventual 4º mandato e classificou seus adversários políticos como “mequetrefes”. As declarações foram feitas durante uma entrevista à TV Record, em conversa sobre inflação, custo de vida e preço dos alimentos.
Inflação e preço dos alimentos
“A inflação hoje é a menor inflação acumulada em quatro anos da história desse país. Não resolveu tudo, não. Nós temos que fazer muito mais. E é por isso que eu sou candidato outra vez. Porque, se eu não fizer, os mequetrefes que disputam comigo não vão fazer”, disse Lula. O presidente defendeu sua gestão econômica, mas reconheceu que parte da população ainda sente o impacto dos preços no orçamento doméstico.
Lula também voltou a comparar a inflação dos alimentos registrada em seu governo com a observada durante a administração de Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, será necessário “baratear o preço do feijão e do arroz”. Os dois produtos estão entre os principais itens da cesta básica e exercem peso direto no consumo das famílias, especialmente daquelas com renda mais baixa.
Crédito e endividamento das famílias
O chefe do Executivo também criticou a oferta de cartões de crédito e relacionou o uso do produto ao endividamento da população. “Tem pessoa que recebe três, quatro cartões de crédito. O cartão de crédito é uma coisa criminosa, que facilita as pessoas se endividarem”, afirmou. A avaliação reforça uma preocupação recorrente com o crescimento das dívidas e dos juros cobrados nas modalidades de crédito ao consumidor.
Ao comentar o tema, Lula procurou diferenciar a existência de uma dívida da incapacidade de quitá-la. “O problema não é a dívida, o problema é o cara não poder pagar a dívida”, declarou. A distinção colocou a capacidade de pagamento das famílias no centro do debate e pode reacender discussões sobre limites ao crédito, transparência nas tarifas e condições oferecidas pelos bancos.
Críticas à autonomia do Banco Central
Lula voltou a criticar a autonomia do Banco Central. Para o presidente, há quem considere que uma autoridade monetária independente seria capaz de resolver grandes problemas econômicos, mas essa expectativa não se confirma na prática. “Não resolve. O que resolve é o presidente da República eleito ter poder de interferir em algum momento da economia, coisa que nós não temos mais”, disse.
A fala reacende o debate sobre a divisão de responsabilidades entre o governo federal e o Banco Central. A autonomia da instituição foi criada para fortalecer a condução técnica da política monetária e preservar a busca pelas metas de inflação, mas segue alvo de questionamentos de setores que defendem maior influência do Executivo sobre decisões econômicas.
Ao associar inflação, alimentação, crédito e autonomia do Banco Central, Lula busca transformar a preocupação com o custo de vida em argumento político. As declarações também indicam que a disputa pelo próximo mandato deverá manter a economia como um dos principais campos de confronto entre o presidente e seus adversários.
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