Cury acusa Lula de usar Bolsa Família para buscar votos
Candidato criticou o reajuste anunciado a duas semanas da eleição, defendeu valores maiores para o benefício e voltou a mencionar o caso envolvendo o Banco Master.

Divulgação
O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) criticou o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a duas semanas da eleição. Para Cury, a medida foi divulgada em momento inadequado e representa uma tentativa de usar a situação dos beneficiários para obter apoio eleitoral.
Reajuste do benefício
O governo federal anunciou em 17 de setembro um aumento de 15,04% no programa. Com a mudança, o piso do Bolsa Família passou de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio foi elevado de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começam a ser pagos na folha de outubro.
Cury afirmou que o benefício é importante, mas questionou por que o aumento não havia sido concedido antes e por que o valor não foi elevado a R$ 900. O candidato também defendeu que as famílias atendidas pelo programa recebam valores maiores, chegando a propor que o benefício seja pelo menos dobrado.
“Por que aumentar logo em seguida, a duas semanas da eleição? É usar a dor dos outros para ganhar uma cadeira de presidente”, declarou. Para o candidato, a necessidade de ampliar a renda das famílias vulneráveis não justifica o timing do anúncio em um período eleitoral.
Visita à Rocinha
Durante o debate, Cury mencionou uma visita à Rocinha, no Rio de Janeiro, realizada a convite de líderes comunitários. Segundo ele, o objetivo do encontro foi ouvir moradores e conhecer de perto as dificuldades enfrentadas pela população, sem fazer pedidos de votos.
O candidato disse ter alertado os moradores sobre a responsabilidade de autoridades que utilizam espaços marcados pela vulnerabilidade social para buscar apoio político. Na sequência, direcionou a crítica a Lula e classificou a postura do petista como “eleitoreira”.
Caso Banco Master
Em outro momento, Cury comentou o caso envolvendo o Banco Master e afirmou que Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) deveriam prestar esclarecimentos sobre o episódio. Ele citou a existência de relações que, em sua avaliação, precisam ser investigadas e esclarecidas pelas autoridades competentes.
A declaração ocorreu durante uma discussão sobre corrupção e fiscalização. Cury defendeu o uso de novas ferramentas tecnológicas no combate a irregularidades, mas ressaltou que elas devem complementar o trabalho de polícias, auditores e órgãos de controle, e não substituir esses profissionais.
Debate presidencial
O encontro, realizado em São Paulo, reuniu Augusto Cury, Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP). Em formato de podcast, o debate priorizou o diálogo entre os candidatos e a apresentação de propostas sobre economia, educação, segurança pública, relações de trabalho e atuação do Supremo Tribunal Federal.
A polêmica sobre o Bolsa Família evidenciou um dos principais pontos de tensão da campanha: os limites entre políticas sociais, calendário eleitoral e uso da máquina pública na disputa presidencial.
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