Campanha de Lula pede ao TSE apuração sobre collabs ligadas a Flávio Bolsonaro
Coligação do presidente pede investigação de 1.826 publicações colaborativas no Instagram que, segundo a ação, ampliaram conteúdo eleitoral, contornaram regras de recomendação e movimentaram vendas de produtos.

Divulgação
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a abertura de investigação sobre um conjunto de publicações no Instagram que, na avaliação dos advogados do petista, teria sido usado de forma coordenada para ampliar conteúdos favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. O pedido foi protocolado no sábado (19 de setembro de 2026) e tem como alvos Flávio e seu vice, Alfredo Gaspar (PL).
Collabs ampliariam o alcance eleitoral
Na ação de investigação judicial eleitoral, a coligação sustenta que perfis recorreram às collabs do Instagram para colocar propaganda eleitoral diante de usuários que não seguem as contas oficiais da campanha. Nas publicações colaborativas, o mesmo conteúdo aparece nos perfis de todos os participantes, o que pode ampliar a distribuição sem que o material seja necessariamente recomendado pelas ferramentas da plataforma.
O levantamento apresentado à Justiça identifica 1.826 collabs envolvendo 492 perfis. Desse total, 1.334 foram publicadas entre 8 e 17 de setembro, alta de 271,1% sobre o primeiro mapeamento. A repetição de grupos de coautores em 68,6% dos casos também é tratada pela campanha como indício de atuação coordenada. A soma dos seguidores chega a 147,35 milhões, mas o próprio documento reconhece que as audiências podem se sobrepor.
Mário Frias (PL-SP) aparece como exemplo. O deputado teria dez collabs, nove delas com o perfil @flaviobolsonaroapoio, que não consta da relação de contas oficiais da candidatura. Para a equipe de Lula, a prática amplia o alcance do material do parlamentar. A campanha também menciona conteúdo desinformativo, peças feitas com inteligência artificial sem identificação e links comerciais em meio às publicações.
Pedidos incluem dados, suspensão e punições
A campanha também relacionou 11 perfis com links para produtos vendidos na Shopee. Nove deles integrariam a rede de collabs e, juntos, somariam mais de 10 milhões de seguidores. Entre os itens anunciados está o boné 22, vendido por cerca de R$ 59,90. Angelo Ferraro, coordenador jurídico da campanha de Lula, afirmou que a ação busca esclarecer se existe uma estrutura organizada para ampliar conteúdo eleitoral e obter receita.
Para confirmar ou afastar a hipótese, a coligação pede que o TSE determine à Meta e à Shopee a preservação e o envio de dados sobre contas, responsáveis e links de venda. Também solicita a suspensão dos links e produtos, com prazo de 48 horas e multa diária de R$ 50 mil. No mérito, requer informações da Câmara e do Senado sobre despesas e servidores ligados à comunicação de Flávio, Alfredo e Mário Frias, além da cassação dos registros ou diplomas dos dois primeiros e inelegibilidade por oito anos.
As acusações ainda dependem de análise do TSE e não significam, por si só, condenação ou comprovação das irregularidades. A campanha de Flávio e Alfredo, o gabinete de Mário Frias, a Meta e a Shopee não apresentaram manifestação sobre o caso até a conclusão desta reportagem.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








