Castelo de José Rico entre ruínas e possível museu milionário
Inacabado há 11 anos, imóvel em Limeira acumula deterioração, disputas judiciais e invasões. A Prefeitura estuda transformar o espaço em polo cultural dedicado à música sertaneja.

Divulgação
Onze anos após a morte de José Rico, o castelo que o cantor planejou construir em Limeira, no interior de São Paulo, continua inacabado e sem uso. Com mais de 100 cômodos e 12 torres, o imóvel simboliza um projeto pessoal e profissional interrompido por problemas de saúde, conflitos judiciais e dificuldades financeiras.
José Rico morreu em 3 de março de 2015, aos 68 anos, vítima de complicações cardíacas. Desde então, a propriedade passou por disputas de herança, ações trabalhistas, penhoras, tentativas de leilão e invasões. O abandono comprometeu partes da estrutura e de objetos deixados pela família.
Um projeto de 24 anos
A construção se estendeu por cerca de 24 anos e era acompanhada de perto pelo artista, chamado de Zum por pessoas próximas. José Rico participava das decisões e imaginava diferentes funções para o espaço, incluindo estúdio musical, gravadora, hotel temático e loja com produtos da dupla Milionário & José Rico.
O terreno tem aproximadamente 48 mil metros quadrados, enquanto a área construída chega a cerca de 10 mil metros quadrados. Avaliações indicam que o imóvel pode valer até R$ 15 milhões, mas o cantor nunca viu o projeto totalmente concluído.
Na parte mais alta, estava prevista uma homenagem a Nossa Senhora Aparecida, com uma imagem da santa e duas poltronas douradas reservadas ao cantor e à então esposa, Berenice Martins. O ambiente também permaneceu inacabado.
Dívidas aceleram a deterioração
As pendências do espólio dificultaram a preservação da propriedade. Penhoras e tentativas de leilão foram usadas em cobranças trabalhistas, mas não houve compradores interessados. Sem ocupação regular e sem manutenção adequada, o castelo passou a acumular danos estruturais e prejuízos causados por invasões.
Janelas quebradas, móveis, pias, caixas de som, discos e outros objetos ficaram expostos à ação do tempo. Parte do acervo foi retirada ou destruída, aumentando a preocupação da família com a segurança e a conservação do local.
Imóvel pode virar espaço cultural
Em maio de 2026, a Prefeitura de Limeira declarou a área de utilidade pública para uma possível desapropriação. A medida não transfere o imóvel ao município nem confirma a criação de um museu, mas autoriza estudos técnicos, jurídicos e econômicos.
A proposta é transformar o castelo em um polo cultural e turístico dedicado a José Rico, à parceria com Milionário e à história da música sertaneja. A administração municipal pretende buscar recursos estaduais, federais e privados, sem previsão de custear o projeto apenas com verbas municipais.
Herdeiros avaliam positivamente uma solução pública, diante dos custos de manutenção e da dificuldade de evitar novas invasões. Ainda serão necessárias avaliações, negociações e a definição das fontes de financiamento antes de qualquer decisão definitiva.
Enquanto o futuro não é fechado, o castelo permanece entre a deterioração e a preservação. Mais do que uma construção de valor milionário, o imóvel guarda o sonho incompleto do artista que marcou o sertanejo com músicas como Estrada da Vida e Vontade Dividida.
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