Conselho do Mpf analisa na sexta-feira menções de Vorcaro a Gonet
O Conselho Superior do Ministério Público Federal avaliará, em 25 de setembro de 2026, se Paulo Gonet deve continuar à frente das investigações ligadas ao Banco Master após mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro fazerem referência ao procurador-geral e ao diretor-geral da PF.

Divulgação
O Conselho Superior do Ministério Público Federal analisará, na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, o procedimento interno que envolve o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a partir de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
O colegiado deverá decidir se Gonet permanece à frente das investigações relacionadas às fraudes envolvendo o banco ou se há elementos suficientes para questionar sua atuação. O julgamento foi marcado após duas sessões do Supremo Tribunal Federal sobre o relatório da Polícia Federal, que encontrou referências a Gonet, ao ministro Alexandre de Moraes e ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
Avaliação no Conselho Superior
Em uma das conversas, Vorcaro perguntou a Moraes se poderia acionar “Paulo e Andrei” e, em seguida, escreveu que não seria possível reverter a situação com os dois. A Polícia Federal avaliou que as menções se referiam a Gonet e Rodrigues.
O relator do procedimento é o subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino, que também chefia a 2ª Câmara de Coordenação e Revisão, responsável pela análise de casos criminais. Pela Lei Orgânica do Ministério Público da União, o Conselho Superior é a instância máxima para avaliar eventuais crimes comuns atribuídos ao procurador-geral.
Se o colegiado entender que existem indícios para a abertura de investigação, deverá indicar um subprocurador-geral para conduzir o caso. A análise ocorre em um ambiente de divergência interna. Alguns integrantes questionaram o pedido de Gonet para anular atos da Polícia Federal que embasaram o pedido de investigação contra Alexandre de Moraes. Outros defendem o procurador-geral e sustentam que os elementos reunidos até agora não demonstram a prática de crime comum.
Foto e contatos registrados
O relatório da Polícia Federal registra uma fotografia de Gonet ao lado de Vorcaro em Londres, em abril de 2024. A imagem foi enviada a Vorcaro pelo advogado Ciro Soares em 19 de junho de 2025, acompanhada da mensagem “PG me mandou”. A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da fotografia.
Soares também encaminhou uma selfie ao lado de Gonet em 15 de março de 2025 e escreveu: “Liga aqui. Ele quer falar com vc”. Segundo a Polícia Federal, dez minutos depois ocorreu a primeira de quatro chamadas entre Soares e Vorcaro. As ligações tiveram duração de 57 segundos, 27 segundos, 17 segundos e 3 minutos e 49 segundos.
Gonet afirmou, durante sessão do STF, que não mantém relação de proximidade com Vorcaro e que o encontrou apenas uma vez, em abril de 2024, durante um evento com outras autoridades. O procurador-geral também classificou como “brevíssima e banal” uma ligação intermediada por um advogado.
Pedido de nulidade e disputa processual
Em 1º de setembro, Gonet pediu a nulidade dos atos do ministro André Mendonça que embasaram o pedido de investigação contra Alexandre de Moraes e, por consequência, contra o próprio procurador-geral e Andrei Rodrigues.
Para Gonet, Mendonça agiu com abuso de autoridade ao determinar a investigação sem abrir prazo para manifestação da Procuradoria-Geral da República. “Ao juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações pré-processuais. Não lhe é dado valer-se da polícia judiciária como sua longa manus para atividades que não lhe foram assinaladas”, afirmou.
Durante julgamento no STF em 15 de setembro, Mendonça explicou que as diligências foram determinadas porque as mensagens poderiam fazer referência a Gonet e Rodrigues. O ministro disse que solicitou informações à Polícia Federal para esclarecer os interlocutores e verificar o contexto das conversas. Agora, o Conselho Superior terá de avaliar se os contatos e as menções apontam para impedimento ou indício de crime, ou se permanecem dentro dos limites de uma relação institucional e de eventos públicos.
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