Volatilidade do Ibovespa mais que dobra antes das eleições
Indicador que mede a oscilação esperada do Ibovespa subiu para 30,17 pontos e mais que dobrou desde julho. Eleições, agenda fiscal, juros externos e incertezas institucionais alimentam a cautela dos investidores.

Divulgação
A volatilidade esperada do Ibovespa, principal índice de ações da B3, chegou a 30,17 pontos na semana encerrada em 18 de setembro de 2026. A alta foi de 5,31% em relação à semana anterior e o indicador mais que dobrou desde a semana de 12 de julho, quando registrava 14,48 pontos.
Eleições elevam a incerteza no mercado
O avanço ocorreu a 16 dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. O S&P/B3 Ibovespa VIX estima a oscilação esperada para os 30 dias seguintes com base nos preços de opções vinculadas ao Ibovespa. Um nível mais alto indica maior movimentação prevista pelos operadores, mas não revela se a bolsa deverá subir ou cair.
Para Gabriel Castro, analista do Grupo Mide, a aparente estabilidade do Ibovespa em agosto escondeu movimentos intensos. O índice sofreu 11 quedas consecutivas e, em seguida, registrou nove altas seguidas. Na segunda semana de setembro, a variação intradiária chegou a quase 2%, entre 183.813 e 187.321 pontos, evidenciando a sensibilidade dos preços a notícias políticas e econômicas.
Agenda fiscal entra no radar dos investidores
O mercado acompanha de perto as pesquisas eleitorais e os possíveis cenários para o segundo turno. O senador Flávio Bolsonaro (PL) avançou nas sondagens e apareceu numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em algumas projeções. Parte dos investidores avalia Flávio como mais alinhado ao controle dos gastos públicos, embora essa percepção dependa das propostas que cada candidato apresentar.
O reajuste do Bolsa Família, anunciado em 17 de setembro, reacendeu o debate sobre as contas públicas. A medida aumentou a atenção sobre o ajuste fiscal necessário em 2027, independentemente do resultado eleitoral. Para o mercado, a capacidade de conciliar programas sociais, metas fiscais e equilíbrio orçamentário será um dos principais fatores para definir o humor das ações nos próximos meses.
Juros e fatores externos ampliam cautela
Além da disputa eleitoral, a tensão institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal contribui para a percepção de risco jurídico. No exterior, as dúvidas sobre o ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial e a trajetória dos juros nos Estados Unidos também influenciam o fluxo de capital para mercados emergentes como o Brasil.
Outros elementos pressionam o índice: entradas e saídas de recursos estrangeiros, mudanças na política monetária internacional, oscilações no preço do minério de ferro e do petróleo e rebalanceamentos na carteira do Ibovespa. Como Vale e Petrobras têm peso relevante no indicador, movimentos nessas commodities podem produzir reflexos significativos na bolsa brasileira.
Volatilidade impõe riscos a operações de curto prazo
Em períodos de oscilação mais intensa, os preços percorrem distâncias maiores no mesmo dia. A movimentação pode atrair investidores em busca de ganhos rápidos, mas também aumenta a chance de decisões influenciadas pela emoção. Ordens automáticas de stop podem ser acionadas por ruídos temporários, encerrando posições que ainda seriam adequadas no longo prazo.
Corretoras e bolsas podem elevar as exigências de margem quando a volatilidade cresce. A medida afeta principalmente quem opera alavancado, com valores superiores ao capital disponível. Sem recursos para reforçar garantias, o investidor pode ser obrigado a reduzir ou encerrar posições, transformando oscilações passageiras em perdas concretas.
Pressão deve continuar até o pleito
Castro avalia que a volatilidade permanecerá elevada até a realização das eleições. O segundo turno, se necessário, está marcado para 25 de outubro. A proximidade nas pesquisas amplia a dificuldade de prever o resultado e tende a manter sensíveis ações de empresas estatais, varejistas e companhias mais dependentes de decisões fiscais e monetárias.
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