Pneu errado pode deixar sua moto mais lenta; entenda
Testes com uma Kawasaki Ninja ZX-6R mostraram como perfil, composto e construção dos pneus alteram estabilidade, esforço para inclinar e precisão nas curvas. A mudança pode prejudicar o rendimento mesmo sem reduzir a potência do motor.

Divulgação
Escolher o pneu errado pode comprometer a dinâmica de uma motocicleta e reduzir seu ritmo em curvas, frenagens e mudanças de direção. A potência entregue pelo motor permanece a mesma, mas o piloto pode precisar inclinar com mais cautela, antecipar manobras e confiar menos na aderência disponível.
Teste controlado revela diferenças na prática
Uma avaliação realizada no Circuito Panamericano, em Elias Fausto, no interior de São Paulo, demonstrou como pequenas diferenças de construção podem transformar o comportamento de uma moto. A Pirelli desenvolveu uma demanda para uma motocicleta esportiva de aproximadamente 600 cm³, com foco em uso urbano e rodoviário, equilíbrio entre frenagem, estabilidade, segurança e durabilidade.
Como o pneu ainda estava em fase de protótipo, a Kawasaki Ninja ZX-6R foi usada como referência. A motocicleta tem motor de quatro cilindros, 636 cm³, 129 cv e 7 kgfm de torque. Todos os pneus testados mantinham as mesmas medidas, 120/70 ZR17 na dianteira e 180/55 ZR17 na traseira, além da mesma calibragem.
Perfil e composto mudam o comportamento
Antes da pista, a avaliação passou por análises de laboratório, simulações e estudos sobre carcaça, compostos de borracha e estrutura interna. Pneus monocomposto e bicomposto, por exemplo, podem apresentar diferenças na aderência, no aquecimento, na estabilidade e na vida útil.
O desenho da banda de rodagem também influencia diretamente a dirigibilidade. Um perfil mais bicudo tende a facilitar inclinações e mudanças rápidas de trajetória. Já um formato mais arredondado pode exigir maior esforço para deitar, embora ofereça comportamento progressivo e confortável no uso diário.
Referência na pista
Os pneus Diablo Rosso IV, desenvolvidos para equilibrar rua e pista, serviram como referência. Com eles, a Ninja apresentou comportamento neutro, ausência perceptível de vibração e transições suaves. A moto exigiu um pouco mais de esforço para inclinar em curvas rápidas, mas manteve estabilidade e respostas previsíveis.
Depois de cada rodada, foram verificadas temperatura, pressão, desgaste e outras condições dos pneus. As impressões do piloto foram registradas em uma planilha que avaliava vibração, precisão, estabilidade em curvas, esforço para inclinar, conforto e comportamento nas acelerações e frenagens.
Por que a moto pode ficar mais lenta
Na comparação com um conjunto de pneus Angel ST ainda em fase de protótipo, a motocicleta mostrou tendência a exigir mais esforço para trabalhar inclinada. Ao mesmo tempo, apresentou respostas estáveis e progressivas, características que podem ser positivas em rodovias, mas não necessariamente ideais para quem busca agilidade em curvas fechadas.
É aí que surge a perda de ritmo. Um pneu menos adequado pode obrigar o piloto a entrar mais devagar nas curvas, corrigir trajetórias e deixar para frear com antecedência. A moto não perde potência, mas a combinação entre menor confiança e maior esforço pode resultar em voltas e percursos mais lentos.
Por isso, não existe pneu universalmente melhor. A escolha deve considerar o modelo da motocicleta, o peso suportado, o tipo de piso, o uso predominante e as especificações recomendadas pelo fabricante. Manter pressão correta e observar desgaste, validade e danos na borracha também é essencial para preservar segurança e desempenho.
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