Lula torna Move Brasil permanente e amplia crédito para veículos
Programa passa a atender também transportadores escolares, inclui utilitários e amplia o prazo de financiamento para 84 meses. Governo informa taxa de 12,6% ao ano, mas ainda não detalhou o custo fiscal da expansão.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o PLV nº 10 de 2026, que torna permanente o Move Brasil e amplia o acesso ao financiamento de veículos novos. Além de motoristas de aplicativo e taxistas, a linha de crédito passa a contemplar cooperativas de táxi e profissionais do transporte escolar.
A medida estabelece taxa de financiamento de 12,6% ao ano, segundo o governo, com prazo de pagamento de até 84 meses. O programa conta com BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil e utiliza recursos públicos para oferecer condições mais favoráveis do que as normalmente praticadas no mercado.
Novidades ampliam público e tipos de veículos
O texto também permite financiar veículos utilitários e adaptações destinadas a pessoas com deficiência. Os carros elegíveis podem custar até R$ 200 mil e ser movidos a etanol, gasolina flex, eletricidade ou sistema híbrido. O limite máximo havia sido ampliado de R$ 150 mil para R$ 200 mil após a procura inicial ficar abaixo das expectativas.
Outra mudança é a possibilidade de amortização variável, semelhante a uma prestação balão. O modelo permite começar o contrato com parcelas menores e aumentá-las ao longo do tempo, conforme a renda e a produtividade do trabalhador. Para motoristas de aplicativo, o tempo mínimo de atuação nas plataformas caiu de 12 para seis meses.
O Move Brasil terá R$ 30 bilhões em crédito do BNDES, disponibilizados conforme a demanda. Esse valor representa o volume previsto de financiamentos, e não necessariamente o custo fiscal da iniciativa. As operações são reembolsáveis e não contam com garantia direta do Tesouro Nacional, embora possam envolver subsídios e equalização de juros.
Governo destaca crescimento das vendas
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, informou que o programa já financiou mais de 48 mil carros e quase 20 mil motos. Segundo ele, a média mensal de vendas para taxistas e motoristas de aplicativo subiu de aproximadamente 4 mil veículos antes do lançamento para cerca de 16 mil atualmente.
Moretti também citou impacto na renda dos trabalhadores. De acordo com o ministro, a parcela média de motos financiadas pelo Move Brasil ficou próxima de R$ 700, ante valores entre R$ 1.000 e R$ 1.100 cobrados em modelos de aluguel.
Desafio continua sendo a adesão
A expansão ocorre em meio a questionamentos sobre a participação das instituições privadas e a capacidade do programa de alcançar o público previsto. Em agosto, motoristas relataram dificuldades para obter financiamento durante encontro com Lula no Palácio do Planalto.
Antes da sanção que torna a iniciativa permanente, o governo já havia direcionado R$ 21,2 bilhões a caminhões, ônibus e implementos rodoviários, sendo R$ 14,5 bilhões do Tesouro e R$ 6,7 bilhões do BNDES. A primeira fase do Move Brasil havia previsto R$ 10 bilhões para o setor.
A medida foi sancionada a 20 dias do primeiro turno das eleições, no mesmo dia em que uma pesquisa Quaest apontou Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno. O governo avalia que as novas regras podem aumentar o alcance potencial do programa de 63% para 88% do mercado de veículos, mas ainda não informou o custo fiscal específico da ampliação.
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