Revolução tecnológica muda hábitos, economia e política, afirma professor
Paulo Vicente Alves, da Fundação Dom Cabral, afirma que a transformação tecnológica começa na cultura, passa pela economia e tende a alterar também a vida política.

Divulgação
Uma revolução tecnológica está mudando a forma como as pessoas vivem, trabalham, consomem e participam da sociedade. Para o professor Paulo Vicente Alves, da Fundação Dom Cabral, essa transformação não é apenas técnica, mas cultural, econômica e política. Ele fez essa análise durante debate no Arena Impacto, evento promovido pela Globo Rural e pelo Valor Econômico, com apoio da Solinftec.
Mudança começa na cultura
Segundo Alves, toda grande revolução tecnológica começa como uma mudança cultural. Novas ferramentas alteram hábitos, hábitos modificam a visão de tempo e cotidiano, e essa nova forma de viver impacta diretamente o consumo. O avanço tecnológico, portanto, não chega apenas por meio de máquinas e plataformas, mas pela transformação da maneira como as pessoas enxergam a própria vida.
Essa mudança cultural avança para a economia quando consumidores, empresas e mercados precisam se reorganizar. Setores tradicionais perdem espaço, novos modelos de negócio surgem e a relação entre trabalho, produtividade e renda é redesenhada. Para o professor, esse processo também tende a chegar à política, alterando a forma como cidadãos e sociedades cobram decisões, participam de debates e exercem influência pública.
Sexto ciclo tecnológico
Alves utiliza modelos históricos e matemáticos para mapear ciclos tecnológicos da humanidade. Na sua leitura, o mundo vive o sexto ciclo, iniciado em 2018 e projetado até 2030. O momento atual seria marcado pelo auge da crise ligada a essa transição, mas com tendência de melhora após os próximos quatro anos. Ele também indica que os efeitos mais profundos dessa revolução podem se consolidar ao longo da década de 2040.
Crise abre espaço para inovação
Para o professor, crises costumam impulsionar novas fases de desenvolvimento. Quando um modelo econômico se esgota, a sociedade busca alternativas por meio da inovação. A tecnologia, nesse processo, pode destruir setores inteiros e deslocar trabalhadores, mas também cria novas empresas, novos mercados e oportunidades de emprego. O desafio está em preparar as pessoas para essa transição antes que ela aconteça em larga escala.
Uma das maiores dificuldades, segundo Alves, é treinar trabalhadores para funções que ainda nem existem. Por isso, a qualificação precisa ir além da formação tradicional. A capacidade de aprender continuamente, se adaptar e reaprender deve se tornar central no mercado de trabalho. A revolução tecnológica, portanto, não é só sobre inovação: é sobre reorganizar a sociedade para viver com ela.
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