Brasil repôs parte das perdas com os EUA com outros parceiros, diz Márcio Elias
Márcio Elias Rosa afirmou que o país compensou parcialmente a queda das exportações para os Estados Unidos com o crescimento das relações comerciais com outros 57 mercados. Ministro também defendeu a diversificação e uma política de Estado para os minerais críticos.

Divulgação
O Brasil conseguiu compensar parte das exportações perdidas para os Estados Unidos com o crescimento das vendas a outros parceiros comerciais. A avaliação foi apresentada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, após as tarifas impostas pelos EUA a diversos produtos brasileiros reaching 37,5%.
Queda nas vendas aos Estados Unidos
As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 13% no primeiro semestre de 2026, atingindo US$ 17,4 bilhões. Para o ministro, a ampliação do intercâmbio com outros mercados ajudou a diminuir o impacto do chamado tarifaço, embora as perdas no comércio com os americanos continuem relevantes.
Rosa destacou que o avanço de 10,5% registrado nas relações comerciais com 57 países não ocorreu apenas por causa da aproximação com a China. Vietnã, Indonésia e outros mercados da Ásia e da América do Sul também ganharam espaço, mostrando que a diversificação começa a produzir efeitos na pauta exportadora brasileira.
Comércio internacional exige novos acordos
Durante o seminário Brasil Hoje, em São Paulo, o ministro classificou como lamentável a deterioração das relações comerciais com os Estados Unidos, principal parceiro do Brasil no hemisfério. Ao mesmo tempo, criticou a imposição de tarifas e barreiras consideradas injustificadas, em um cenário de enfraquecimento do sistema multilateral de comércio.
Para Márcio Elias, a Organização Mundial do Comércio nunca fez tanta falta quanto agora. Ele avalia que o comércio internacional passa por uma reorganização em blocos e que acordos como Mercosul-União Europeia e Mercosul-Singapura podem ganhar importância estratégica. “Não pode ser a lei do mais forte, mas tem que ser a lei do bom parceiro comercial”, afirmou.
Brasil precisa industrializar minerais críticos
O ministro também abordou os minerais críticos, considerados essenciais para setores como tecnologia, energia e defesa. Embora o Brasil tenha a segunda maior reserva conhecida desse tipo de recurso, o país ainda enfrenta dificuldades para transformar a matéria-prima em produtos industriais com maior valor agregado.
Na avaliação de Rosa, o país não conseguirá dominar sozinho toda a cadeia produtiva, atualmente concentrada principalmente na China e nos Estados Unidos. A estratégia brasileira deverá buscar parceiros tecnológicos e industriais, evitando limitar os minerais críticos à exportação de commodities.
O ministro defendeu que o tema seja tratado como política de Estado, com previsibilidade, segurança jurídica e estabilidade para atrair investimentos de longo prazo. Ele admitiu que acordos podem ser negociados tanto com a China quanto com os Estados Unidos, mas informou que ainda não há uma definição interna sobre o modelo adotado pelo governo.
O seminário Brasil Hoje reuniu ministros, empresários, parlamentares e autoridades para debater competitividade, inteligência artificial, saneamento, segurança pública e os principais desafios econômicos do país nos próximos anos.
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