Lula compara inflação de alimentos com governo Bolsonaro e diz que comida continua cara
Durante live com apoiadores, presidente afirmou que a inflação de alimentos foi menor em seu governo, mas reconheceu que os preços seguem elevados. Lula também criticou Flávio Bolsonaro e apresentou números questionados sobre as contas públicas deixadas por Jair Bolsonaro.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (13 de setembro de 2026) que a comida continua cara, apesar da redução do ritmo da inflação em comparação com o governo de Jair Bolsonaro. A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo destinada a apoiadores, em um dia de mobilizações do PT pela reeleição petista.
Alimentos ainda pesam no orçamento
Lula comparou a alta dos preços durante os dois governos. “No governo passado, a inflação sobre alimentos foi de 56,17%. No nosso governo, foi de 13,6%”, declarou. Para o presidente, a diferença entre os percentuais mostra uma desaceleração da inflação, mas não representa alívio suficiente para as famílias, já que os alimentos permanecem em patamares elevados.
“Obviamente que a comida está cara ainda”, disse Lula. Ele argumentou que seu governo não conseguiu reduzir o que chamou de “preço estratosférico” deixado pela administração anterior. O presidente, porém, não informou quais indicadores, bases de cálculo ou períodos utilizou para chegar aos percentuais citados.
Salário mínimo e poder de compra
Ao tratar da renda e do custo de vida, Lula defendeu a valorização do salário mínimo e afirmou que o objetivo é permitir que o benefício compre “duas cestas básicas ou mais”. O presidente também sustentou que o Brasil vive atualmente o menor acumulado de inflação em quatro anos de governo de sua história, sem apresentar novos detalhes sobre a comparação.
Críticas ao plano fiscal de Flávio Bolsonaro
Lula também dirigiu críticas ao senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. Ele afirmou que o adversário prepara um “plano secreto” de ajuste fiscal, baseado na promessa de economizar R$ 200 bilhões para evitar déficit nas contas públicas.
O petista responsabilizou Jair Bolsonaro por um suposto déficit equivalente a 2,8% do Produto Interno Bruto. O número, no entanto, não corresponde ao resultado primário registrado no último ano do governo Bolsonaro. O governo central encerrou o período com superavit primário de R$ 54,1 bilhões, aproximadamente 0,5% do PIB, descontados os juros da dívida. Foi o primeiro resultado positivo desse tipo em nove anos.
Naquele momento, vigorava o teto de gastos, que limitava o crescimento das despesas públicas à variação da inflação. A regra foi substituída em 2023 pelo arcabouço fiscal, aprovado pelo Congresso, que permite maior crescimento dos gastos com base no desempenho das receitas.
Lula também criticou as mudanças no pagamento de precatórios durante o governo Bolsonaro. Ele afirmou que foi deixado um rombo de R$ 94 bilhões nessas dívidas judiciais e disse que a eleição envolve o futuro da população, não apenas sua permanência no poder.
Disputa eleitoral segue apertada
A live ocorreu a três semanas do primeiro turno, em um cenário de disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Levantamento divulgado dias antes indicava 47% das intenções de voto para o senador e 45% para o presidente em uma possível disputa no segundo turno. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro de 1,8 ponto percentual, caracterizando empate técnico.
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