Sem citar Wagner, Haddad defende punição no caso Banco Master
Candidato do PT ao governo de São Paulo pediu a quebra dos sigilos das investigações e defendeu punições independentemente de filiação partidária. Haddad também negou contato com Daniel Vorcaro e atribuiu responsabilidades a agentes políticos.

Divulgação
Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, defendeu nesta segunda-feira (14) a quebra de todos os sigilos das investigações sobre o caso Banco Master. Para o petista, eventuais irregularidades devem ser apuradas até o fim e quem tiver responsabilidade comprovada deve responder, sem distinção de partido político.
A declaração foi feita durante entrevista ao SP1, da TV Globo, após Haddad ser questionado sobre a participação do senador Jaques Wagner (PT-BA) no episódio. O candidato não mencionou o nome do senador em sua resposta e resumiu sua posição em uma frase direta: “Abre tudo. Quem tiver que responder, responda. Quem tiver que pagar por alguma coisa, pague, independentemente de partido político”.
Ética antes de alianças políticas
Haddad afirmou que a conduta ética deve prevalecer sobre interesses ideológicos e partidários. “A questão ética tem que preceder tudo. Ideologia, política, antes de tudo, é a ética na política. Errou? Se defende. Não conseguiu se defender? Paga”, disse. A fala reforça o tom adotado pelo candidato ao tratar de responsabilidades dentro do próprio campo político.
Sigilo e proximidade das eleições
O petista afirmou que defende o fim do sigilo das investigações há várias semanas. Ele justificou a posição pela proximidade das eleições gerais e argumentou que a população precisa ter acesso às informações relevantes antes de votar. “Nós estamos às vésperas de uma eleição geral no Brasil. A Justiça não pode sonegar a informação do cidadão”, declarou.
Haddad nega contato com Vorcaro
Ao comentar o caso, Haddad negou ter mantido qualquer relação com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Ele disse que nunca se encontrou com o banqueiro, não recebeu mensagens ou telefonemas e teria sido alertado pela própria equipe sobre os riscos de qualquer aproximação. “Eu nunca recebi o Daniel Vorcaro na minha vida, nunca estive com ele no mesmo ambiente, nunca recebi uma mensagem, nenhum telefonema dele, nunca o procurei, porque a minha equipe já havia alertado que o Daniel Vorcaro era um problema, problema grave”, afirmou.
Acusações e disputa por responsabilidades
Haddad classificou o episódio como “a maior fraude bancária do país” e falou em R$ 60 bilhões envolvidos. Também sustentou que Vorcaro financiou campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e de Jair Bolsonaro (PL). Além disso, atribuiu ao período de Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central a origem da relação do banqueiro com a instituição, lembrando que Campos Neto foi indicado por Bolsonaro.
A defesa da quebra integral de sigilos coloca Haddad a favor da ampliação da transparência em um caso que ganhou repercussão nacional. Ao mesmo tempo, a recusa em citar Jaques Wagner mostra a cautela do petista ao tratar de um possível envolvimento de integrantes de seu partido, enquanto concentra o discurso na necessidade de apuração e responsabilização.
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