Nissan Kicks chega à Europa apenas como híbrido e aumenta expectativa no Brasil
Nova geração do SUV será produzida no Reino Unido com o sistema e-Power. No Brasil, o modelo continua vendido somente com motor 1.0 turbo.

Divulgação
A Nissan levará o Kicks ao mercado europeu exclusivamente com motorização híbrida. A nova geração será produzida em Sunderland, no Reino Unido, onde a montadora investirá 170 milhões de libras para adaptar a fábrica ao modelo. A decisão reforça a estratégia da marca de ampliar os veículos eletrificados e aumentar sua participação no concorrido segmento dos SUVs compactos.
Tecnologia e-Power chega à terceira geração
O Kicks europeu utilizará o sistema e-Power de terceira geração. A tecnologia adota uma lógica diferente da usada nos híbridos convencionais: as rodas são movidas apenas pelo motor elétrico, enquanto o propulsor a gasolina funciona como gerador de energia. Dessa forma, o veículo não precisa ser conectado à tomada, mas também não roda diretamente com o motor a combustão.
Na configuração apresentada no Japão, um motor 1.4 produz eletricidade para alimentar um conjunto elétrico de 140 cv. Também existe uma versão com tração integral e-4ORCE, que acrescenta um segundo motor no eixo traseiro com 67 cv. A Nissan ainda não divulgou os dados definitivos da versão destinada à Europa.
A terceira geração do e-Power reúne motor elétrico, gerador, inversor, redutor e multiplicador em uma única unidade chamada 5-em-1. Segundo a montadora, o conjunto é mais compacto e leve, facilitando sua instalação em diferentes modelos e mercados.
Kicks ganha papel global
Criado inicialmente para mercados emergentes, o Kicks já ultrapassou 1,8 milhão de unidades vendidas no mundo. A chegada ao continente europeu representa uma ampliação importante de sua atuação e pode reposicionar o SUV dentro da estratégia global da Nissan, atualmente concentrada em produtos de maior volume.
Até então, o Juke era o principal SUV compacto da marca na Europa. Com a eletrificação do Kicks e a produção britânica, a Nissan passa a ter uma alternativa mais ampla e alinhada à crescente procura por veículos com menor consumo de combustível.
E por aqui?
No Brasil, o novo Kicks continua distante da versão híbrida europeia. Por enquanto, todas as variantes são equipadas com motor 1.0 turbo de até 125 cv e 22,4 kgfm, associado a um câmbio automatizado de dupla embreagem. A tradicional alavanca de marchas deu lugar ao seletor eletrônico e-Shifter.
Segundo dados do Inmetro, o consumo varia entre 8,3 km/l com etanol e 11,7 km/l com gasolina na cidade. Nas rodovias, os números chegam a 9,9 km/l com etanol e 14,3 km/l com gasolina. O desempenho econômico ajuda, mas o preço mais elevado em relação ao modelo anterior pesa para o consumidor.
Entre janeiro e agosto de 2026, o Kicks registrou 22.473 emplacamentos, desempenho inferior ao de Volkswagen T-Cross e Hyundai Creta, que somaram 61.934 e 49.163 unidades, respectivamente. A chegada de concorrentes híbridos entre R$ 150 mil e R$ 200 mil deve intensificar ainda mais a disputa.
Uma versão e-Power poderia oferecer ao SUV brasileiro um diferencial relevante e ampliar seus argumentos de venda. A incógnita agora é saber se a Nissan pretende levar essa tecnologia ao Brasil ou manter o Kicks nacional restrito ao motor 1.0 turbo.
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