Brasil rebate crítica dos EUA sobre combate ao Pcc e ao Comando Vermelho
Governo federal rejeita alegação dos Estados Unidos de que houve falhas no enfrentamento ao crime organizado transnacional. Brasília destaca ações recentes, cooperação entre os países e uma proposta entregue por Lula que ainda aguarda resposta.

Divulgação
Brasil rejeita acusação de omissão
O governo brasileiro rebateu, nesta quarta-feira (16 de setembro de 2026), as críticas feitas pelos Estados Unidos ao combate nacional contra o crime organizado transnacional. Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que não há falhas ou omissões na atuação do país contra organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), classificadas como terroristas por Washington.
A manifestação brasileira responde a um documento enviado pelo governo dos Estados Unidos ao Congresso na véspera. O relatório anual identifica países considerados grandes produtores ou rotas de trânsito de drogas. O Brasil não aparece entre as 23 nações relacionadas, mas recebeu críticas no texto narrativo da publicação.
Para Brasília, as observações não correspondem a uma constatação formal de descumprimento prevista na legislação norte-americana. O ministério sustenta que se trata de uma manifestação circunstancial, sem respaldo na parte dispositiva do documento. Essa distinção jurídica é central para a resposta brasileira, que considera as críticas laterais e desprovidas de reconhecimento formal.
Cooperação entre Brasil e Estados Unidos
O Ministério da Justiça afirmou que a posição dos Estados Unidos desconsidera a cooperação já existente entre os dois países no enfrentamento ao crime organizado. O governo brasileiro também destacou uma proposta entregue pessoalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Washington, no dia 7 de maio, com medidas para combater a lavagem de dinheiro, ampliar o compartilhamento de informações de inteligência e enfrentar o tráfico de armas.
Segundo a nota, o país continua aguardando uma resposta do governo dos Estados Unidos sobre a proposta. A falta de retorno reforça um cenário de tensão diplomática, mas também mostra que ainda há espaço para ampliar a colaboração entre as autoridades dos dois países.
Medidas recentes são citadas pelo governo
Para sustentar sua avaliação, Brasília citou a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, que aumentou as penas para líderes de organizações criminosas e criou mecanismos destinados a dificultar suas operações. O governo também mencionou o Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio, voltado ao enfraquecimento econômico das facções, ao fortalecimento do sistema prisional, à investigação de homicídios e ao combate ao tráfico de armas.
A nota informou ainda que forças federais realizaram dezenas de milhares de operações contra o crime e causaram bilhões de reais em prejuízos a grupos criminosos. O texto não detalhou os valores nem apresentou indicadores específicos, mas usou os resultados como argumento para rejeitar a acusação de inação.
Crítica aumenta pressão sobre a segurança pública
O episódio revela divergências entre os governos sobre a avaliação dos esforços brasileiros. Enquanto a administração de Donald Trump cobra uma postura mais dura, o Brasil defende sua atuação soberana e afirma que a estratégia nacional combina inteligência, investigação, integração entre forças de segurança e cooperação internacional.
Apesar da resposta firme, o combate ao PCC e ao Comando Vermelho continua sendo um desafio complexo, especialmente porque as organizações atuam além das fronteiras e movimentam recursos ilícitos em diferentes países. A eficácia das medidas dependerá da continuidade das investigações, da integração entre instituições e da capacidade de transformar acordos diplomáticos em resultados concretos para a segurança da população.
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