Preço do boi gordo avança em boa parte do Brasil, impulsionado por restrição de oferta
Apesar de estabilidade em São Paulo, cotações da arroba registram alta em 24 das 33 praças monitoradas, refletindo a oferta limitada de animais e o bom ritmo das exportações.

Divulgação
O mercado do boi gordo em boa parte do Brasil registrou um movimento de alta nos preços da arroba nesta terça-feira, após uma semana de valorização em todas as categorias de bovinos. Embora o Estado de São Paulo tenha apresentado estabilidade nas cotações, o cenário nacional foi impulsionado pelo avanço observado no mercado paulista no dia anterior. Das 33 praças monitoradas, 24 registraram aumentos, com destaque para Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Pará, Tocantins, Rondônia, Paraná, Santa Catarina e Acre. Nas nove regiões restantes, os preços permaneceram inalterados.
Oferta restrita sustenta valorização
Em praças de referência como Araçatuba e Barretos, ambas em São Paulo, o preço do boi gordo manteve-se em R$ 367 a arroba para pagamento em 30 dias. As cotações para o "boi China", a vaca e a novilha também não sofreram alterações. Segundo análises do mercado, a oferta de boiadas em São Paulo tem se mostrado contida, com frigoríficos adquirindo apenas o volume necessário para suprir suas escalas de abate. Por outro lado, a ponta vendedora busca melhores preços, mas os negócios continuam sendo fechados dentro das referências estabelecidas.
Exportações e mercado interno em sintonia
O cenário de alta no preço do boi gordo é reforçado pela análise de especialistas, que apontam para um viés de valorização sustentado pela restrição na oferta de animais e pelo posicionamento desconfortável das escalas de abate. As programações dos frigoríficos, concentradas entre cinco e sete dias úteis, mantêm a demanda ativa pela compra de boiadas. Paralelamente, o mercado externo, apesar de uma redução no volume de carne bovina in natura exportada em setembro em comparação com o ano anterior, apresentou um preço médio por tonelada significativamente mais alto, indicando uma valorização da commodity no comércio internacional. A receita média diária das exportações, embora menor em termos percentuais, ainda representa um volume expressivo.
Demanda interna reage, mas concorrência se mantém
No mercado interno, a carne bovina também observou uma nova valorização, favorecida pela reposição de estoques impulsionada pela entrada dos salários na economia. O quarto traseiro, em particular, registrou um avanço de R$ 0,50, alcançando R$ 28,50 por quilo. Contudo, a competitividade da carne bovina em relação a outras proteínas, como frango e cortes suínos, que permanecem mais acessíveis ao consumidor, continua sendo um fator limitante para novas altas expressivas no mercado doméstico.
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