Governo pressiona por votação do fim da escala 6x1 antes do segundo turno
Ministro José Guimarães busca acordo com presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para agilizar a análise da Proposta de Emenda à Constituição que visa acabar com a jornada de trabalho de seis dias contínuos seguidos por um de folga.

Divulgação
O governo federal intensifica os esforços para garantir a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1 antes do segundo turno das eleições presidenciais. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, reuniu-se com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para discutir o andamento da matéria, considerada uma das principais bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Articulação política em busca de consenso
Em encontro que durou cerca de uma hora e meia, Guimarães e a líder do governo no Senado, Teresa Leitão, buscaram alinhar os próximos passos com Alcolumbre. Segundo o ministro, o presidente do Senado demonstrou determinação em pautar a PEC já na sessão desta terça-feira, com o objetivo de permitir o debate e a votação ao longo da semana. A intenção é concluir o processo antes do dia 25 de outubro, data do segundo turno eleitoral, visando consolidar mais um ponto na agenda positiva do governo.
O rito regimental e a oposição
A principal dificuldade para a aprovação célere da PEC reside no rito regimental do Senado. Para ser votada em primeiro turno, a proposta exige cinco sessões de discussão. Embora o intervalo entre essas sessões possa ser reduzido mediante acordo entre os líderes partidários, a articulação com a oposição, especialmente com setores ligados ao senador Flávio Bolsonaro, é vista como um desafio. O governo, no entanto, busca mobilizar apoio e provocar os opositores a votarem contra uma medida que, segundo o ministro, beneficiará os trabalhadores com mais um dia de descanso semanal sem redução salarial.
A importância estratégica da PEC
A aprovação da PEC que estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem cortes no salário, foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em setembro. Contudo, sua ida ao plenário esbarrou na incerteza do governo em reunir os 49 votos necessários. A derrota de Lula no primeiro turno eleitoral aumentou as dúvidas sobre a disposição dos senadores em acelerar a análise da proposta. Ainda assim, o governo mantém a pressão, avaliando que a aprovação em 2027, com uma composição potencialmente mais à direita no Senado, poderia ser ainda mais complexa.
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