Azeites brasileiros colecionam prêmios globais e se destacam na cena internacional
Os azeites brasileiros estão conquistando reconhecimento mundial, acumulando um número expressivo de medalhas em concursos internacionais. Especialistas apontam que o sucesso é resultado de uma combinação de fatores, desde o cultivo em pequena escala e o manejo cuidadoso, passando pelas condições climáticas favoráveis no Sul do país, até a rapidez e precisão na colheita e extração. Essa ascensão posiciona o Brasil como um produtor de azeites de oliva extra virgem de alta qualidade, redefinindo o cenário global do setor.

Divulgação
A cena internacional dos azeites de oliva extra virgem tem um novo e forte protagonista: o Brasil. Rótulos nacionais têm se destacado com frequência em concursos ao redor do mundo, colecionando um impressionante número de medalhas. Em 2026, o EVO IOOC, na Itália, concedeu 101 medalhas de ouro e 30 de prata a azeites brasileiros, um feito notável. No renomado guia Flos Olei, nove marcas do país, com sete delas do Rio Grande do Sul, foram listadas entre as 100 melhores do mundo, consolidando a crescente reputação de excelência dos produtos verde-amarelos.
Para Patricia Galasini, sommelière de azeites de oliva e CEO da Agência JKPG, esse reconhecimento não é por acaso. Ela explica que a alta qualidade dos azeites brasileiros é fruto de uma combinação de fatores cruciais que se iniciam no campo e se estendem por toda a cadeia produtiva. Desde o cuidado no cultivo até a agilidade na extração, cada etapa é pensada para maximizar o frescor e a riqueza dos compostos presentes na azeitona.
O Cuidado Artesanal da Pequena e Média Produção
Um dos pilares dessa excelência reside na estrutura da produção nacional. Grande parte dos olivicultores brasileiros opera em pequena e média escala, o que confere um controle mais rigoroso sobre cada fase do processo. Essa proximidade permite aos produtores monitorar de perto o desenvolvimento das oliveiras, a escolha do momento ideal da colheita e a variedade mais adequada para cada terroir. Muitos ainda possuem seus próprios moinhos ou trabalham com unidades localizadas muito próximas aos olivais, um diferencial estratégico que minimiza o tempo entre a colheita e a extração do azeite, preservando suas qualidades.
O Clima do Sul como Aliado da Qualidade
O clima desempenha um papel fundamental, especialmente nas regiões produtoras do Sul do Brasil. A oliveira, para florescer adequadamente, necessita de um período de frio intenso no inverno, condição encontrada no Rio Grande do Sul, onde são registradas cerca de 400 horas abaixo de 10 °C. Além disso, a marcante diferença de temperatura entre o dia e a noite durante a maturação das azeitonas é outro fator benéfico. As noites mais frias desaceleram o metabolismo do fruto, favorecendo a concentração de compostos fenólicos e aromáticos, que são essenciais para o sabor e as propriedades antioxidantes do azeite. No entanto, especialistas do setor apontam que a chuva excessiva pode ser um problema, aumentando a umidade dos frutos e comprometendo a qualidade, o que faz com que anos mais secos e estáveis sejam ideais para a produção de azeites premiados.
Variedade e o Ponto Ideal da Colheita
A escolha da variedade de azeitona é uma decisão determinante para o perfil do azeite. Cultivares como a Koroneiki, por exemplo, são conhecidas por sua alta concentração de óleo, polifenóis e estabilidade oxidativa, enquanto a Arbequina tende a produzir azeites mais suaves. Outras variedades como Coratina, Frantoio, Picual e Arbosana também são cultivadas no Sul do país, cada uma contribuindo com características únicas. Mais do que a variedade em si, o momento da colheita é crucial. A mesma oliveira pode render azeites com perfis distintos dependendo do estágio de maturação de seus frutos, com colheitas mais precoces geralmente favorecendo a concentração de compostos fenólicos em detrimento do volume, uma escolha que a maioria dos produtores de azeites premiados costuma fazer.
Do Campo ao Moinho: Rapidez e Precisão
A atenção à qualidade se estende muito além da árvore. A saúde das oliveiras, com podas adequadas, nutrição balanceada e controle de doenças, é essencial. Na colheita, é primordial evitar frutos danificados ou que caiam no chão. Após serem colhidas, as azeitonas devem ser transportadas rapidamente para o moinho, preferencialmente em caixas rasas e ventiladas, nunca em sacos. Essa agilidade é crítica, pois o fruto colhido inicia um processo de fermentação e oxidação. A extração deve ocorrer em poucas horas para preservar características valorizadas em concursos, como baixa acidez, baixa oxidação e alta concentração de polifenóis. Na avaliação sensorial, os jurados buscam por complexidade e harmonia, além dos atributos positivos como frutado, amargor e picância.
O Brilho dos Prêmios Internacionais
Os resultados recentes são a prova do reconhecimento. No EVO IOOC de 2026, com 786 azeites de 33 países, o Brasil garantiu 101 ouros e 30 pratas. A Estância das Oliveiras, de Viamão (RS), obteve destaque especial com seu azeite Frantoio, que alcançou a pontuação máxima e os títulos de Best in Show, Best in Class e medalha de ouro no EIOOC em Genebra. No Flos Olei 2026, nove rótulos brasileiros foram eleitos entre os 100 melhores do mundo, com sete deles provenientes do Rio Grande do Sul. O Olivinus, em Mendoza, também premiou os 11 azeites inscritos pela Estância das Oliveiras com o Gran Prestigio Oro. O prestigiado Mario Solinas Quality Award, conhecido como o “Oscar dos azeites”, é outro palco onde a qualidade brasileira pode brilhar, avaliando as características sensoriais como frutado, amargor, picância, equilíbrio e persistência. Patricia Galasini conclui que, apesar da qualidade já consolidada, ainda é cedo para definir um único perfil de azeite brasileiro, dada a rica diversidade de regiões, variedades, climas e abordagens produtivas que moldam cada produto de forma única.
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