Tensão no STF: Gilmar Mendes acusa Mendonça de politizar investigação do Banco Master
O Supremo Tribunal Federal foi palco de um embate acalorado entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça. Gilmar acusou Mendonça de ter esperado o período eleitoral para avançar com um relatório da Polícia Federal sobre o caso Banco Master, sugerindo um viés político-eleitoral na condução das investigações. A declaração provocou uma reação imediata de Mendonça e expôs as divisões internas da Corte em torno de um caso que envolve o ministro Alexandre de Moraes e gera desdobramentos complexos.

Divulgação
Uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira foi marcada por um embate direto e contundente entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça. O decano da Corte, Gilmar Mendes, lançou uma séria acusação contra seu colega, afirmando que André Mendonça teria deliberadamente aguardado a proximidade do período eleitoral para determinar a elaboração de um relatório da Polícia Federal (PF) referente ao complexo caso Banco Master. A alegação de Mendes aponta para um suposto viés político-eleitoral na condução das investigações, que envolvem nomes de destaque e têm o potencial de gerar profundas repercussões.
Acusação de viés político-eleitoral
Mendes não poupou críticas, indicando que, apesar das suspeitas sobre o caso estarem em evidência desde o início de março, o relatório só foi encomendado às vésperas das eleições, "muito provavelmente para implicar exatamente quem ele buscava implicar". O ministro ainda reforçou que a divulgação de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, um dos investigados no caso, pouco antes do 7 de Setembro, corroboraria a intenção político-eleitoral. A gravidade das palavras de Gilmar provocou uma interrupção imediata de Mendonça, que reagiu com veemência: "Não seja leviano, não aponte o dedo para mim", declarou o ministro, elevando o tom da discussão e expondo as profundas tensões internas no tribunal.
O ineditismo do caso Vorcaro-Moraes no STF
A discussão foi além do embate pessoal, com Gilmar Mendes expressando preocupação de que a maneira como o processo estava sendo conduzido poderia levar à desestabilização da própria Corte, afirmando que a situação "fica parecendo mesmo que o intuito aqui é jogar com o caos". No centro dessa controvérsia está o inédito julgamento no STF de um relatório da Polícia Federal que aponta para uma suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, identificado como líder de uma grande fraude ao Sistema Financeiro Nacional. O relatório, tornado público por Mendonça em 1º de setembro, sugere que Vorcaro teria solicitado interferência de Moraes nas investigações antes de sua prisão em novembro de 2025, além de indicar contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes. A decisão de Mendonça de remeter o caso diretamente ao plenário do STF, sem autorizar o andamento das investigações da PF, é agora o ponto de análise dos ministros.
PGR questiona legalidade e contra-ataque de Moraes
A complexidade do caso é agravada pela manifestação da Procuradoria Geral da República (PGR), que, em 1º de setembro, declarou a invalidade do procedimento da PF por duas razões principais: Mendonça teria determinado diligências contra pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou da própria PF, e qualquer investigação contra um ministro do Supremo exigiria autorização prévia do plenário e deveria ser encaminhada à Presidência do Tribunal. Paralelamente, Mendonça tornou-se alvo de um pedido de investigação por abuso de autoridade e improbidade administrativa, feito pelo ministro Alexandre de Moraes. Esse contra-ataque de Moraes baseia-se em um relatório de inteligência da PF que, embora sem valor probatório, sugere que Mendonça teria direcionado as investigações do caso Master contra Moraes. Essa disputa interna já gerou uma "guerra de liminares" sobre a manutenção do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, evidenciando a profunda crise institucional que o caso gerou no mais alto escalão do judiciário brasileiro.
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