Pgr pede esclarecimentos sobre sigilo dos pagamentos de Vorcaro
O vice-procurador-geral da República pediu ao gabinete de André Mendonça que informe quais providências foram adotadas em inquérito com relatório do Coaf sobre pagamentos atribuídos a Daniel Vorcaro. O pedido ocorre antes de uma sessão do STF marcada para analisar o caso.

Divulgação
O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, pediu nesta segunda-feira (14 de setembro de 2026) que o gabinete do ministro André Mendonça esclareça quais providências foram adotadas em um inquérito que examina pagamentos relacionados a Daniel Vorcaro, fundador do Master. A manifestação ocorre em meio a divergências no Supremo Tribunal Federal sobre o acesso integral às provas produzidas na investigação.
Pedido busca esclarecer andamento do inquérito
Em parecer, o vice-PGR afirmou que a quebra do sigilo de uma petição com dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) não permite identificar as medidas tomadas pelo ministro relator. A Procuradoria-Geral da República informou que não tinha conhecimento da abertura da petição em março de 2026 e que, até agora, não recebeu informações completas sobre eventuais decisões ou encaminhamentos no caso.
O documento disponibilizado contém o pedido da Polícia Federal para apurar a relação de pagamentos e uma lista de valores atribuídos a Vorcaro, com destaque para transações envolvendo seu cunhado, Fabiano Zettel. A PGR quer saber se Mendonça tomou alguma decisão após receber o material e, caso tenha determinado o prosseguimento de alguma investigação, solicita que o andamento seja tornado público.
STF libera petição antes de julgamento
Na manhã de segunda-feira, Mendonça liberou o acesso à Petição 15.645, que reúne o relatório sobre os pagamentos. A medida atende a um pedido da PGR para que as informações fossem compartilhadas antes da sessão desta terça-feira (15), quando o STF deverá analisar relatório da Polícia Federal com indícios de relações entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
O material também trata do início da investigação do Master, em 2025, e menciona contratos obtidos pela PF entre o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, e a instituição financeira. A divulgação dos documentos, no entanto, não encerra a discussão sobre a disponibilidade de todos os elementos colhidos durante as investigações.
Disputa sobre acesso aos dados do celular
Desde que a sessão foi marcada, ministros têm discutido a extensão do acesso às provas. Cristiano Zanin oficiou o diretor-geral da Polícia Federal no domingo e solicitou que todos os ministros recebam uma cópia integral das informações extraídas de um dos celulares apreendidos com Vorcaro. O pedido foi defendido também por Gilmar Mendes e pelo próprio Alexandre de Moraes.
No sábado (12), o presidente do STF, Edson Fachin, deu prazo de 24 horas para que a PF esclarecesse as condições de armazenamento do aparelho e de seu conteúdo. O impasse concentra-se, portanto, não apenas na quebra de sigilo de documentos específicos, mas também na forma como os dados digitais serão preservados, compartilhados e examinados pelos integrantes da Corte.
A exigência de esclarecimentos feita pela PGR aumenta a pressão por uma visão unificada dos autos antes do julgamento. Para os ministros, o acesso simultâneo e integral ao conjunto probatório é condição para avaliar os pedidos e votar com base no mesmo material. O episódio deverá influenciar o ritmo da sessão e a condução dos próximos passos no STF.
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