Lula critica visão de que políticas públicas são apenas gasto
Durante evento sobre o Move Brasil, Lula defendeu que ações sociais e econômicas sejam avaliadas como investimentos. Programa que financia veículos para trabalhadores será permanente e terá linhas ampliadas.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 14 de setembro de 2026, que políticas públicas precisam ser tratadas como investimento, e não apenas como despesa. Durante cerimônia no Palácio do Planalto, Lula criticou a ideia de que toda ampliação de programas sociais ou econômicos representa gasto excessivo do governo.
Estado deve ampliar oportunidades
Para o presidente, a atuação estatal deve criar condições para que cidadãos sem acesso a crédito, educação e trabalho possam participar da economia. Lula citou como exemplos o ingresso de jovens nas universidades, a reinserção social de pessoas que passaram pelo sistema prisional e o atendimento à população em situação de rua.
Segundo Lula, governos e empresas precisam contribuir para reduzir obstáculos enfrentados por esses grupos. Ele defendeu uma atuação conjunta na qual o poder público possa oferecer incentivos e as companhias também participem do esforço, mesmo que isso implique menores margens em determinadas operações.
Move Brasil será permanente
O discurso ocorreu durante a sanção do PLV nº 10 de 2026, que torna permanente o Move Brasil. O programa amplia linhas de financiamento de veículos para motoristas de aplicativo, taxistas e transportadores escolares, profissionais que usam o automóvel como instrumento de trabalho.
Desde o lançamento, o BNDES disponibilizou R$ 30 bilhões para financiar veículos. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, R$ 25 bilhões permanecem disponíveis para dar continuidade ao programa, conforme a demanda dos trabalhadores.
A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil ficam responsáveis pela operação dos empréstimos, enquanto o BNDES coordena a execução das linhas. Com a sanção, o Move Brasil deixa de ter prazo de validade e poderá ser acessado por trabalhadores que atendam aos critérios, desde que existam recursos disponíveis.
Debate sobre política fiscal
A defesa de novas políticas públicas ocorre em um cenário de pressão sobre as contas públicas. A alta da dívida e a expectativa de crescimento dos gastos federais reacenderam o debate sobre a necessidade de ajuste fiscal e sobre os limites para a criação de programas permanentes.
Apesar das críticas, Lula sustentou que o resultado de uma política pública deve ser avaliado pela capacidade de gerar oportunidades e movimentar setores produtivos. Para o presidente, reduzir barreiras ao crédito e estimular o trabalho pode produzir ganhos sociais e econômicos que justificam a intervenção do Estado.
O governo, porém, ainda não apresentou uma projeção completa do custo fiscal do Move Brasil em caráter permanente. A informação disponível é o volume já destinado ao BNDES, enquanto a continuidade das operações dependerá da procura dos trabalhadores e dos recursos mantidos nas linhas de financiamento.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








