Gilmar chama Mendonça de “boneco eleitoral” no caso Moraes-Vorcaro
Gilmar Mendes acusou André Mendonça de conduzir o caso envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro com interesse eleitoral. O decano do STF também criticou o sigilo de informações sobre ministros da Corte e alertou para riscos à independência do colegiado.

Divulgação
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), chamou André Mendonça de “boneco eleitoral” e “pixuleco” durante o julgamento sobre o caso que envolve Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, empresário investigado por comandar um esquema de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Acusação de uso eleitoral do caso
Gilmar afirmou que a condução do processo por Mendonça teria ocorrido em período eleitoral e próximo às comemorações do 7 de Setembro, com potencial de influenciar o debate público. Para o decano, o interesse político seria “evidente, acachapante e extravagante”.
A discussão começou depois que Gilmar sugeriu que a divulgação de informações contra Moraes poderia beneficiar interesses eleitorais. Mendonça rejeitou a acusação e classificou a fala como leviana. “Não aponte o dedo para mim. Mereço respeito”, afirmou.
Gilmar respondeu que “quem não se dá ao respeito não merece respeito” e voltou a defender que a forma de conduzir o caso levanta dúvidas sobre sua finalidade. Segundo ele, uma deliberação da Corte durante o período eleitoral poderia nascer marcada pela suspeita de ter servido a alguém.
Sigilo de informações sobre ministros
O decano também criticou o fato de Mendonça ter reunido e mantido sob sigilo informações que poderiam atingir outros integrantes do STF. Na avaliação de Gilmar, concentrar esse tipo de material nas mãos de um único ministro cria uma relação de poder sobre os demais membros do colegiado.
“Quem detém sozinho aquilo que pode alcançar outros integrantes do colegiado passa a exercer sobre eles algum tipo de ascendência”, disse Gilmar. Ele comparou a situação a uma “relação de máfia” e classificou a conduta como “covarde” e “vil”, afirmando que “até a máfia tem ética”.
Relatório da Polícia Federal
O julgamento trata do relatório da Polícia Federal que aponta interlocuções entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. Segundo o documento, o empresário teria pedido interferência do ministro nas investigações antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025.
O relatório também menciona contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. Antes de autorizar o prosseguimento das investigações, Mendonça encaminhou o caso ao plenário do STF.
Agora, os ministros precisam decidir se a Polícia Federal poderá continuar as apurações. A Procuradoria-Geral da República questiona o procedimento e sustenta que diligências contra pessoas específicas não poderiam ser determinadas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da própria polícia.
A PGR também entende que qualquer investigação contra ministro do STF depende de autorização do plenário e deve ser encaminhada à Presidência da Corte. O debate ganhou contornos políticos após a divulgação do relatório e as declarações públicas dos envolvidos.
Pedido de investigação contra Mendonça
Paralelamente, André Mendonça é alvo de um pedido de investigação apresentado por Alexandre de Moraes, que o acusa de abuso de autoridade e improbidade administrativa. O pedido se baseia em um relatório de inteligência da Polícia Federal que, segundo Moraes, indicaria direcionamento das investigações contra o ministro.
O documento é contestado por Mendonça e por aliados, que questionam seu valor probatório. A disputa também provocou uma sequência de decisões judiciais sobre a permanência de Andrei Rodrigues na direção-geral da Polícia Federal. O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que ele continue no cargo até uma análise mais detalhada do caso.
O julgamento separado sobre a atuação de Mendonça está marcado para 23 de setembro. O desfecho do caso poderá definir os limites para investigações envolvendo ministros do STF e influenciar a disputa institucional dentro da Corte.
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