Quem fez putaria vai ser desmascarado, diz Lula
Em comício em Curitiba, Lula associou Daniel Vorcaro a políticos e defendeu a apuração de possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master, Lulinha e ministros do STF.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom das críticas ao empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, durante um comício realizado neste sábado (12) em Curitiba. Ao comentar a prisão do banqueiro, Lula afirmou que novos desdobramentos das investigações podem envolver integrantes do mundo político e disse que “quem fez putaria vai ser desmascarado”.
Segundo o presidente, a prisão de Vorcaro seria apenas o início da exposição de esquemas investigados pela Polícia Federal. “Vorcaro já está preso, mas agora vão começar a aparecer as orgias que ele fazia, as mulheres da Suíça, da Suécia, para fazer sacanagem com muita gente da política”, declarou. As falas foram feitas em um ambiente de mobilização com aliados e não apresentaram, no discurso, novos elementos ou documentos sobre as acusações.
Acusações contra o Banco Master
Lula voltou a chamar Vorcaro de “agiota” e afirmou que o empresário “corrompeu muita gente da República”. O petista também responsabilizou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro pela ascensão da instituição financeira e por irregularidades associadas a descontos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. “Eles abriram o banco e nós fechamos esse banco”, disse, ao comparar a atuação dos dois governos.
O presidente também citou Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca, investigado em desdobramentos relacionados ao Banco Master, e mencionou a informação de que ele estaria no mesmo prédio que o senador Flávio Bolsonaro (PL). A referência reforça o esforço do Planalto para relacionar a crise da instituição financeira ao período em que os Bolsonaro ocuparam posições de destaque no governo federal.
Lulinha e a atuação do STF
Lula voltou a falar sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, alvo de três inquéritos da Polícia Federal. “Meu filho não será protegido”, afirmou, acrescentando que acredita na inocência dele, mas que eventual erro deverá ser punido. Segundo o presidente, o mesmo padrão de responsabilização deve valer para ele, para o filho e para ministros da Suprema Corte.
Ao tratar do Supremo Tribunal Federal, Lula classificou o cargo de ministro como um “sacerdócio” e defendeu que seus ocupantes mantenham um comportamento incompatível com o enriquecimento pessoal. “Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico”, disse, sem citar nominalmente nenhum integrante da Corte. A fala ocorre em meio à ampliação do debate público sobre conduta, transparência e investigação de autoridades.
Sigilo é retirado de investigações
O ministro André Mendonça, do STF, retirou o sigilo de novos processos ligados às investigações sobre o Banco Master. A decisão atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República, que questionava a liberação parcial dos autos e alertou que a medida poderia transmitir uma visão incompleta da chamada Compliance Zero. Mendonça incluiu outros 21 procedimentos por iniciativa própria.
Entre os casos alcançados está a investigação sobre o financiamento da cinebiografia “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. A Polícia Federal aponta Flávio Bolsonaro como elo com Vorcaro na captação dos recursos e considera que o dinheiro foi administrado posteriormente por Eduardo Bolsonaro. A abertura dos autos pode ampliar o acesso público a depoimentos, documentos e decisões que ainda estavam sob restrição.
Políticos e operações sob investigação
Também deixaram o sigilo procedimentos que envolvem o senador Ciro Nogueira (PP-PI), suspeito de atuar no Congresso em favor do Banco Master e de Vorcaro, acusação que ele nega. Outras investigações alcançam Jaques Wagner (PT-BA) e uma transferência de R$ 3,6 bilhões feita pelo Rioprevidência à instituição financeira durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro, no Rio de Janeiro.
Curitiba foi escolhida para um discurso carregado de simbolismo. Lula ficou 580 dias detido na superintendência da Polícia Federal na cidade entre 2018 e 2019, após condenações nos casos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia, posteriormente anuladas pelo STF. Ao defender investigações contra aliados e adversários, o presidente procura apresentar a atuação da Justiça como critério uniforme, independentemente da posição política dos envolvidos.
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