Lindbergh pede investigação de Flávio por supostos vínculos com Careca do INSS
Representação protocolada na PGR pede apuração de endereço compartilhado e relações contábeis envolvendo empresa da qual Flávio Bolsonaro é sócio e companhias associadas a Antonio Carlos Antunes. Documento solicita quebra de sigilos, perícia e busca e apreensão.

Divulgação
Pedido de abertura de inquérito
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu à Procuradoria-Geral da República a abertura de investigação sobre possíveis vínculos entre o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e empresas relacionadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Antunes é apontado como operador financeiro do esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários investigado pela Polícia Federal e pela CPMI do INSS.
A representação solicita que a PGR peça ao Supremo Tribunal Federal a instauração de inquérito e a realização de diligências. O caso envolve um senador da República, razão pela qual eventuais investigações criminais contra Flávio devem ser analisadas pelo STF. O objetivo do pedido é esclarecer a origem de recursos, a prestação de serviços e a existência de eventuais vantagens entre o núcleo investigado e pessoas ligadas ao candidato.
Empresa de Flávio ocupa sala comum a sociedades investigadas
Um dos pontos destacados por Lindbergh é a coincidência de endereço entre a Bravo Grafeno, empresa da qual Flávio é sócio, e ao menos 16 sociedades associadas a Antunes. Constituída em junho de 2024 com capital social declarado de R$ 100 mil, a companhia atua na comercialização de capacetes para motociclistas. Além de Flávio, figuram como sócios Carlos Bolsonaro, Pedro Luiz Dias Leite, Paulo Giordano Bernardi e Fernando Nascimento Pessoa.
A Bravo Grafeno informou em seu cadastro a sala 2601 do bloco D do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, no Distrito Federal. O mesmo local aparece no registro de empresas ligadas a Antunes. O documento afirma que oito dessas sociedades foram abertas em 5 de outubro de 2023.
Entre elas está a Prospect Consultoria Empresarial. O relatório final da CPMI do INSS informou que a companhia recebeu R$ 204,2 milhões de nove entidades investigadas por descontos associativos em benefícios previdenciários. Desse total, R$ 115,9 milhões teriam sido pagos pela Unaspub, R$ 27,1 milhões pela Ambec e R$ 19,8 milhões pela CBPA. A sala 2601 também é registrada como endereço da Prospect.
Relação contábil envolve antigo sócio de Antunes
A representação também cita a Voga Serviços Contábeis, responsável pela contabilidade da Bravo Grafeno. Segundo o documento, a empresa pertence a Alexandre Caetano dos Reis, preso desde dezembro de 2025, e também presta serviços ao escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro.
Lindbergh afirma que Reis foi sócio de Antunes em uma empresa offshore constituída nas Ilhas Virgens Britânicas e atuou como contador de companhias relacionadas ao núcleo investigado pela Polícia Federal. A administradora do escritório de Flávio, Letícia Caetano dos Reis, é irmã de Alexandre. De acordo com a representação, ela chegou ao escritório por indicação do advogado Willer Tomaz de Souza, amigo de Flávio, alvo da Operação Sem Desconto e defensor de Alexandre Reis.
O próprio documento reconhece que o compartilhamento de endereço pode ter explicação lícita, como serviços de contabilidade ou domiciliação fiscal. Por isso, Lindbergh pede a apuração da natureza e da extensão dos serviços prestados pela Voga à Bravo Grafeno e ao escritório de advocacia do senador.
PGR é convidada a pedir sigilos e perícia
Entre as diligências solicitadas estão a quebra dos sigilos bancário e fiscal da Bravo Grafeno, da Voga e de pessoas relacionadas às empresas, além da obtenção de relatórios de inteligência financeira do Coaf. Também foi pedida uma perícia contábil para verificar a origem dos recursos usados na integralização do capital social da Bravo Grafeno.
A perícia deverá analisar a compatibilidade entre faturamento, estoque e estrutura operacional, além das empresas e pessoas que receberam ou enviaram recursos desde a criação da sociedade. Lindbergh também solicita busca e apreensão nas salas 2601 e 2603 do Connect Towers, com preservação de contratos, documentos contábeis, registros de acesso e arquivos eletrônicos.
Hipóteses incluem campanha e atuação no mandato
A representação cita como possíveis linhas de investigação lavagem de dinheiro, integração a organização criminosa e falsidade em declarações cadastrais. Os pedidos ainda buscam verificar eventual contrapartida no exercício do mandato de Flávio caso sejam identificados transfers de recursos ou vantagens entre o núcleo investigado e pessoas próximas ao senador.
Outro ponto a ser apurado é o possível uso da Bravo Grafeno para arrecadar ou movimentar recursos destinados à campanha eleitoral de 2026 fora dos mecanismos legais de prestação de contas. As hipóteses ainda precisam ser examinadas pelas autoridades e não significam, por si só, comprovação de irregularidades.
Flávio Bolsonaro não se manifestou
Procurada, a assessoria de Flávio Bolsonaro não respondeu até a publicação deste texto. A representação e os documentos apresentados por Lindbergh agora dependem de análise da Procuradoria-Geral da República, que poderá arquivar o pedido, solicitar informações adicionais ou encaminhar a questão ao STF.
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