Sócio da produtora de “Dark Horse” só entregará dados à PF por ordem dos EUA
Michael Davis, sócio majoritário da Go Up Entertainment LLC, informou que não enviará diretamente ao Brasil documentos guardados nos Estados Unidos. A Polícia Federal investiga a origem, o destino e os beneficiários dos recursos usados no filme “Dark Horse”.

Divulgação
Documentos estão guardados nos Estados Unidos
Michael Davis, sócio majoritário da Go Up Entertainment LLC, condicionou a entrega de documentos à Polícia Federal à observância do processo legal nos Estados Unidos. A posição foi informada em 2 de setembro de 2026, após Karina Ferreira da Gama, ligada à produtora, encaminhar a Davis um pedido da PF com dados societários, contábeis, fiscais, bancários e contratuais.
O ofício havia sido enviado em 19 de agosto, com prazo de dez dias para resposta. Karina solicitou apoio ao sócio majoritário da empresa para organizar os esclarecimentos, mas Davis informou que, por orientação de advogados, não autorizava o envio direto às autoridades brasileiras de documentos mantidos em território norte-americano.
Empresa defende cooperação jurídica internacional
Davis afirmou que eventuais pedidos do Brasil devem seguir os canais formais de cooperação jurídica internacional, como carta rogatória ou assistência jurídica mútua. Em sua avaliação, a transferência dos registros exige uma ordem emitida por um juiz dos Estados Unidos.
“Não autorizo o encaminhamento, às autoridades brasileiras ou a quaisquer terceiros, de documentos societários, contábeis, fiscais, bancários ou contratuais da empresa custodiados nos Estados Unidos sem a estrita observância do devido processo legal norte-americano”, escreveu.
Levantamento registra gastos nos dois países
Um laudo da perícia privada contratada pela Go Up Entertainment apontou gastos de US$ 9,66 milhões nos Estados Unidos e US$ 3,72 milhões no Brasil para a produção de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O estudo, contudo, analisou despesas da produtora e não esclareceu a origem dos recursos nem auditou o fundo norte-americano Havengate Development.
Os documentos apresentados pela defesa também não incluíram os extratos bancários utilizados na análise. As informações financeiras entregues estão relacionadas principalmente à produção executada no Brasil, enquanto a maior parte das despesas registradas no levantamento foi concentrada nos Estados Unidos.
PF busca origem, destino e beneficiários
A Polícia Federal investiga o financiamento da obra e tenta identificar de onde saiu o dinheiro, qual caminho os valores percorreram e quem foram os beneficiários finais. Entre os itens solicitados estão contratos, comprovantes de pagamento, instrumentos de câmbio, notas fiscais e documentos societários capazes de reconstruir a operação financeira.
Registros reunidos pela investigação indicam que cerca de R$ 61 milhões teriam sido repassados por meio do Havengate Development. A troca de mensagens envolvendo Davis e Karina passou a integrar os autos após o levantamento do sigilo de procedimentos relacionados ao caso Master.
Impasse exige tramitação formal
Caso a Go Up mantenha a posição apresentada por Davis, o acesso aos documentos custodiados nos Estados Unidos dependerá de uma solicitação formal por meio dos mecanismos de cooperação entre os dois países. O impasse não resolve o mérito da investigação, mas pode tornar mais demorado o trabalho da PF para confrontar os gastos informados com a origem e a movimentação dos recursos.
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