França chama Tarcísio de “Kinder Ovo” e critica gestão da Cracolândia
Durante o lançamento do programa de saúde da chapa de Fernando Haddad, Márcio França atacou a imagem técnica de Tarcísio e afirmou que a Cracolândia foi dispersa por São Paulo. O candidato a vice também comentou debates, pesquisa apertada e o possível impacto do número eleitoral.

Divulgação
Crítica à imagem técnica do governador
Durante o lançamento do programa de saúde da chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo, Márcio França (PSB), candidato a vice, criticou a forma como o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), conduz sua campanha. França questionou principalmente a tentativa de apresentar Tarcísio como uma figura distante da política e associada apenas à sua formação técnica como engenheiro.
Para ilustrar essa avaliação, o ex-governador paulista comparou Tarcísio a um Kinder Ovo. “Ele é um Kinder Ovo. Você vai abrindo o chocolate, vai abrindo e, pum, pula uma surpresinha bolsonarista”, afirmou. A declaração reforça a estratégia da oposição de vincular o governador ao bolsonarismo, apesar da campanha de Tarcísio destacar sua trajetória administrativa e sua atuação à frente do governo estadual.
Cracolândia no centro da disputa
França também contestou a narrativa de que a principal marca da gestão de Tarcísio na área da saúde teria sido a extinção da Cracolândia. Segundo o candidato a vice, o problema não foi eliminado, mas redistribuído para diferentes regiões da capital paulista, com usuários de crack e população em situação de rua ocupando outros pontos da cidade.
“O que o Tarcísio fez foi pulverizar a Cracolândia em pedacinhos”, disse França. “Se você andar por São Paulo, tá esparramado de pequenas Cracolândias.” A crítica transforma um dos principais argumentos de Tarcísio em alvo de campanha e amplia o debate sobre segurança pública, saúde mental e assistência social no estado.
Debates e pesquisa de margem apertada
O candidato a vice ainda criticou a postura de Tarcísio na campanha. Segundo França, o governador teria informado que não participará de novos debates e não comparecerá a programas de televisão para os quais foi convidado. A oposição interpreta a decisão como resistência ao confronto direto com os adversários, enquanto a campanha governista pode enxergar a agenda como parte de uma estratégia para evitar riscos em uma disputa equilibrada.
Ao pedir empenho aos apoiadores de Haddad na reta final, França citou uma pesquisa mencionada durante o evento e afirmou que a diferença entre os candidatos pode ser de aproximadamente 1 ponto percentual. “Se vocês soubessem — parece fácil, mas 1% são 300 mil votos”, declarou. Ele comparou o momento com a eleição estadual de 2018, quando disputou o governo paulista e perdeu para João Doria.
França também avaliou que Tarcísio pode se beneficiar do número 10, diferente do 22 usado na eleição anterior e associado ao PL e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o candidato a vice, parte dos eleitores teria votado no número 22 por engano naquele pleito. “Nós precisamos é tirar 1%, 1%, que parece que é difícil, mas pode acontecer”, afirmou.
Campanha testa perfis e narrativas
As declarações mostram que a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes também será decidida pela capacidade de cada campo consolidar sua narrativa. De um lado, Tarcísio busca preservar a imagem de gestor técnico e desvinculado de disputas ideológicas. Do outro, Haddad e França tentam aproximá-lo do bolsonarismo e questionar os resultados de sua administração em áreas sensíveis, como saúde, segurança e assistência social.
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