Lula chama Vorcaro de agiota e diz que empresário corrompeu gente da República
Durante comício em Curitiba, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar Daniel Vorcaro e relacionou a ascensão do Banco Master ao governo Bolsonaro. STF amplia quebra de sigilo de investigações sobre a instituição.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atacar Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, durante um comício realizado neste sábado (12 de setembro de 2026), em Curitiba. Em tom crítico, o petista chamou o empresário de “agiota” e afirmou que ele “corrompeu muita gente da República”.
“Em 2019, eles pegaram uma agiota e transformaram num banqueiro”, disse Lula. O presidente também destacou a atuação do governo atual contra a instituição: “Eles tiraram o banqueiro e nós prendemos esse banqueiro. Eles abriram o banco e nós fechamos esse banco”.
Críticas ao governo Bolsonaro
Lula responsabilizou o ex-presidente Jair Bolsonaro pela ascensão do Banco Master e pelos descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Ao comentar investigações em andamento, citou Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca, e informou que ele estaria no mesmo prédio que o senador Flávio Bolsonaro.
“É importante lembrar que a quadrilha foi montada no governo Bolsonaro. A verdade tarda, mas não falha”, afirmou. As declarações foram feitas durante uma agenda política no Sul do país, após o presidente participar de atos de aliados em Porto Alegre e Curitiba.
STF amplia acesso aos autos
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo de novos processos ligados às investigações sobre o Banco Master. A decisão atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República, que defendia a liberação integral dos autos. Mendonça determinou ainda a inclusão de outros 21 procedimentos.
Entre os documentos liberados está o inquérito que apura o financiamento da cinebiografia “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. A Polícia Federal investiga Flávio Bolsonaro como possível interlocutor de Daniel Vorcaro na captação de recursos. As investigações também acompanham a movimentação de valores posteriormente administrados pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Parlamentares e recursos sob investigação
Também deixaram o sigilo procedimentos relacionados ao senador Ciro Nogueira, acusado de atuar no Congresso em favor do Banco Master e de Vorcaro, hipótese que ele nega. Os autos incluem ainda uma ramificação envolvendo o senador Jaques Wagner e apurações sobre uma transferência de R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência ao Banco Master durante a gestão de Cláudio Castro no Rio de Janeiro.
O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que a íntegra dos autos da operação Compliance Zero e da petição 15.556 fosse encaminhada à Presidência da Corte e aos gabinetes dos ministros. A medida ocorre em um momento de maior exposição das investigações e de intensificação do debate político sobre o caso.
Curitiba marca a agenda presidencial
A escolha de Curitiba para o discurso tem forte carga simbólica. Lula permaneceu 580 dias detido na sede da Polícia Federal na cidade, entre abril de 2018 e novembro de 2019. Suas condenações foram posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, que considerou inválidos os processos conduzidos pela então 13ª Vara Federal de Curitiba.
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