Produtora de Dark Horse pagou faturas do cartão de Mário Frias, indicam documentos
Documentos da investigação sobre o financiamento de Dark Horse indicam que a Go Up Entertainment quitou quatro faturas do cartão de crédito de Mário Frias entre agosto e novembro de 2025. Os pagamentos somam R$ 136.868,03 e ocorreram durante a produção do filme sobre Jair Bolsonaro.

Divulgação
Pagamentos ocorreram durante a produção do filme
Documentos obtidos na investigação sobre o financiamento de Dark Horse indicam que a Go Up Entertainment pagou ao menos quatro faturas do cartão de crédito do deputado federal Mário Frias (PL-SP). As transações, que somam R$ 136.868,03, foram realizadas entre agosto e novembro de 2025, período em que a produtora trabalhava no longa-metragem.
Os registros apontam um pagamento de R$ 32.604,39 em 22 de agosto, referente à fatura com vencimento em 25 de agosto. Em 25 de setembro, outro valor de R$ 34.164,08 foi quitado no próprio dia do vencimento. As cobranças de outubro e novembro foram pagas antecipadamente, em 21 e 19 de cada mês, pelos valores de R$ 33.242,21 e R$ 36.857,35, respectivamente.
Transações serão analisadas no contexto da investigação
Os pagamentos chamam atenção por terem sido feitos por uma empresa envolvida na produção cinematográfica para quitar despesas vinculadas ao cartão de um dos integrantes do projeto. A documentação, no entanto, não estabelece por si só a natureza jurídica das transações, que deverão ser examinadas pelos investigadores dentro do conjunto de movimentações financeiras apuradas no caso.
Mário Frias atua em Dark Horse como roteirista e produtor-executivo. O filme narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e passou a ser investigado após autoridades passarem a apurar a origem dos recursos usados na produção, incluindo repasses atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso em Brasília no âmbito de investigações sobre fraudes na carteira de crédito do Banco Master.
Polícia Federal cumpriu mandados em setembro
Na quinta-feira, 10 de setembro de 2026, a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão relacionados ao financiamento de Dark Horse. Mário Frias e Karina Gama, proprietária da Go Up Entertainment, foram alvo da operação. A quebra de sigilo determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, foi autorizada na sexta-feira, 11 de setembro.
Segundo a Polícia Federal, as apurações tratam de suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares e de movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas conectadas ao esquema. Entre os crimes investigados estão peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e infrações contra as licitações. As acusações ainda estão sob apuração e não significam condenação.
Deputado nega irregularidades
Frias classificou a operação como “cortina de fumaça”, negou a prática de irregularidades e afirmou que colaborará com as investigações. A defesa terá oportunidade de apresentar esclarecimentos sobre os pagamentos e sobre a relação financeira entre o deputado, a produtora e os demais envolvidos.
STF acompanha dois inquéritos
Existem dois inquéritos sobre o filme em tramitação no Supremo Tribunal Federal. O ministro Flávio Dino investiga a possibilidade de uso irregular de emendas parlamentares e recursos públicos. Já André Mendonça analisa repasses de Daniel Vorcaro que, segundo as investigações, teriam sido feitos a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL).
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