STF libera 25,3 Gb de documentos sobre investigações do Banco Master
O ministro André Mendonça retirou o sigilo da petição 15.556 e de outros 14 procedimentos ligados ao Banco Master. A base disponibilizada reúne 3.285 arquivos sobre supostas fraudes financeiras, servidores do Banco Central, influenciadores, policiais e medidas da Operação Compliance Zero.

Divulgação
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou em 10 de setembro de 2026 o sigilo da petição 15.556 e de outros 14 procedimentos relacionados às investigações sobre o Banco Master. A decisão atendeu a um pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, e antecede a sessão extraordinária marcada para 15 de setembro, na qual o plenário deverá analisar questões ligadas à inclusão do ministro Alexandre de Moraes nas investigações sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A base disponibilizada pelo STF contém 25,3 GB de documentos, vídeos e áudios. Ao todo, foram catalogados 3.285 arquivos, que revelam diferentes frentes apuradas pela Polícia Federal, desde suspeitas de fraudes em operações financeiras até a atuação de servidores do Banco Central, influenciadores digitais e policiais investigados por colaboração com Vorcaro.
Inquérito central apura operações entre Master e BRB
O Inquérito 5.026 é o principal desdobramento da Operação Compliance Zero. Ele investiga supostas fraudes nas operações entre Banco Master e Banco de Brasília (BRB), após informações encaminhadas pelo Banco Central sobre possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo as duas instituições, a Tirreno e seus gestores.
As investigações começaram pelas cessões de carteiras de crédito do Master ao BRB, estimadas em aproximadamente R$ 12 bilhões. A Polícia Federal suspeita que parte dos créditos negociados não tivesse lastro e que algumas operações tenham sido estruturadas para justificar recursos transferidos anteriormente pelo BRB ao Banco Master. O inquérito possui 1.021 arquivos e também alcança ex-dirigentes do BRB e outros investigados. O senador Jaques Wagner teve o endereço alvo de busca e apreensão em uma das fases dos trabalhos.
Projeto DV investiga campanha digital em favor de Vorcaro
O Inquérito 5.035 analisa o chamado Projeto DV. Segundo a Polícia Federal, a iniciativa teria promovido uma ofensiva midiática coordenada para defender Daniel Vorcaro e questionar a atuação do Banco Central na liquidação do Master. Os 85 arquivos do procedimento tratam do recrutamento de influenciadores, da produção de conteúdo e de estratégias de impulsionamento nas redes sociais.
Autos registram buscas, perícia e pedido de quebra de sigilos
A Petição 15.198 reúne parte das primeiras medidas da investigação. Nela estão decisões sobre buscas e apreensões contra Vorcaro, familiares, empresários e outros investigados, além de informações sobre fundos e operações financeiras examinadas pela polícia. O procedimento também registra a perícia de cerca de 100 dispositivos eletrônicos apreendidos e cobranças do então relator Dias Toffoli sobre atrasos no cumprimento de medidas autorizadas. São 1.040 arquivos.
Na Petição 15.478, a Polícia Federal pediu a quebra dos sigilos bancário, fiscal e financeiro de investigados e empresas relacionados ao caso. O procedimento apresenta a hipótese de que o Master teria usado cédulas de crédito bancário falsas ou sem lastro em negociações com o BRB que chegaram a cerca de R$ 17 bilhões. Conversas, contratos, extratos e documentos financeiros integram os 36 arquivos disponibilizados.
Investigação alcança servidores do Banco Central
A Petição 15.504 concentra a apuração sobre a relação de Vorcaro com servidores do Banco Central, especialmente Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana. A Polícia Federal investiga suspeitas de corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Relatórios policiais afirmam que Paulo Sérgio teria atuado como uma espécie de consultor informal do banqueiro, inclusive orientando-o para reuniões com integrantes da cúpula do BC. A defesa de Belline nega irregularidades. O procedimento reúne 115 arquivos com mensagens, depoimentos e outros elementos sobre a atuação dos servidores.
Petição 15.556 reúne prisões, hackers e grupo de policiais
A Petição 15.556 é um dos eixos centrais da terceira fase da Compliance Zero. Foi com base em uma representação da Polícia Federal nesse processo que André Mendonça determinou prisões e outras medidas contra Vorcaro e investigados em março de 2026.
Os 492 arquivos incluem relatórios produzidos a partir do celular de Vorcaro. O material trata de sua relação com servidores do Banco Central, acesso a informações sigilosas, atuação de hackers, monitoramento de pessoas e tentativas de remover conteúdo da internet. Também documenta o grupo chamado pela polícia de A Turma, formado, segundo a investigação, por policiais cooptados, e registra apurações sobre Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, apontado como intermediário de grupos que atuariam em benefício de Vorcaro e de suas empresas.
Buscas e medidas patrimoniais compõem a base
A Petição 15.562 reúne registros das buscas e apreensões realizadas na terceira fase da Operação Compliance Zero. Foram alvo dos mandados Daniel Vorcaro, os servidores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza e integrantes de núcleos investigados pela Polícia Federal. Os 148 arquivos incluem documentos sobre o cumprimento das diligências e os endereços visitados pelas equipes policiais.
Já a Petição 15.563 concentra medidas patrimoniais relacionadas à mesma frente investigativa. A liberação conjunta dos autos permite acompanhar a extensão das apurações e a forma como diferentes suspeitas foram organizadas pelo STF e pela Polícia Federal.
A retirada do sigilo amplia o acesso público aos elementos reunidos na investigação, mas não significa condenação dos envolvidos. As hipóteses apresentadas nos documentos ainda estão sujeitas à análise judicial, ao contraditório e à presunção de inocência.
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