Petistas reconhecem Flávio à frente e apostam em ajustes para vitória de Lula no 2º turno
Integrantes e aliados do PT avaliam que a campanha de Lula precisa de ajustes diante do avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas. Embora reconheçam um cenário desafiador, apostam na disputa de segundo turno, na mobilização política e em mudanças de estratégia para buscar a reeleição.

Divulgação
Integrantes e aliados do PT reconhecem que Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em parte das pesquisas eleitorais. A avaliação interna, no entanto, é de que a disputa foi marcada por oscilações e tende a permanecer acirrada até a definição de um eventual segundo turno.
Campanha admite necessidade de ajustes
Entre petistas ouvidos no debate político, há avaliação de que a campanha e o projeto nacional de Lula precisam de reajustes. A preocupação envolve a dificuldade do presidente em ampliar sua aprovação, apesar das entregas apresentadas pelo governo, e o crescimento de um sentimento de insatisfação estimulado pela direita, que tem pressionado sua imagem.
Apesar do cenário adverso, aliados defendem que ainda há tempo para reorganizar a disputa. A aposta é de que Lula possa crescer quando o eleitorado estiver diante de uma escolha restrita entre ele e Flávio. A força da militância e a capacidade de mobilização nas ruas e nas redes também são apontadas como fatores decisivos para uma possível vitória no 2º turno.
Números variam conforme o cenário pesquisado
Aliados de Lula criticam análises concentradas apenas nos cenários de segundo turno e destacam levantamentos do primeiro turno. Em pesquisa BTG/Nexus, o presidente aparece com 42% das intenções de voto, ante 37% de Flávio. No segundo turno, a mesma pesquisa mostra Lula com 47% e o senador com 46%.
Outros levantamentos apresentam cenário diferente. A Quaest registra Flávio com 42% e Lula com 40% em eventual segundo turno. Uma pesquisa PoderData/Aya, divulgada em 10 de setembro, apontou o senador do PL com 47% e o petista com 45%. Considerando a margem de erro de 1,8 ponto percentual, o resultado representa empate técnico.
Boulos pede reação organizada
Em 12 de setembro, durante o evento Café com Boulos com Plateia, em São Paulo, o ministro Guilherme Boulos (Psol), da Secretaria-Geral da Presidência, reconheceu que as pesquisas indicam uma disputa equilibrada. Segundo ele, é necessário organizar a reação e o contra-ataque para buscar a reeleição de Lula e derrotar o bolsonarismo.
Boulos também criticou vazamentos de informações de investigações e acusou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de favorecer esse clima. A declaração foi feita sem apresentação de provas. Petistas temem que episódios desse tipo influenciem o ritmo da campanha e mantenham a eleição sob tensão permanente.
A disputa, portanto, é vista pelo campo lulista como difícil, mas ainda aberta. A expectativa agora é combinar correções na comunicação, maior presença territorial e articulação com aliados para reduzir a vantagem adversária e transformar o segundo turno em um cenário favorável à reeleição presidencial.
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