Nova defesa de Zambelli articula recursos no Brasil e no exterior
A nova equipe de defesa de Carla Zambelli pretende questionar as condenações da ex-deputada no STF e impedir sua extradição da Itália. Os advogados alegam perseguição política e falta de imparcialidade, enquanto autoridades brasileiras buscam executar as penas.

Divulgação
A nova defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) prepara uma estratégia jurídica no Brasil e no exterior para tentar anular as condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal e impedir sua extradição da Itália. O plano inclui medidas para revisar os processos criminais e questionar a entrega da ex-parlamentar às autoridades brasileiras.
Eduardo Maurício, que passou a atuar na defesa em parceria com o advogado italiano Pieremilio Sammarco, afirma que todas as medidas processuais possíveis serão adotadas. A equipe sustenta que os processos foram marcados por perseguição política e por violações ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. Essas alegações ainda precisarão ser analisadas pelas instâncias competentes.
Defesa questiona atuação de ministros do STF
Entre os argumentos apresentados, está a contestação da atuação dos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes nos casos. A defesa pretende sustentar que não haveria garantia de um julgador imparcial e que as condenações estariam viciadas por motivações políticas. A nova equipe também buscará afastar o segundo pedido de extradição formulado pelo Brasil à Itália.
Em declaração, Maurício afirmou que entregar Zambelli ao Brasil equivaleria a “sentenciá-la à morte”. A avaliação é rebatida como projeção da defesa e não representa uma conclusão judicial sobre as condições que a ex-deputada enfrentaria caso retornasse ao país.
Condenações envolvem invasão ao CNJ e ameaça armada
Em 2025, a 1ª Turma do STF condenou Carla Zambelli e Walter Delgatti Neto, por unanimidade, pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. O caso envolve o acesso e a adulteração de documentos no sistema do Conselho Nacional de Justiça entre 2022 e 2023, incluindo a emissão de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Zambelli recebeu pena de 10 anos de prisão em regime fechado, multa de 2 mil salários-mínimos e perda do mandato parlamentar. Delgatti foi condenado a 8 anos e 3 meses de reclusão em regime fechado, além de multa de 480 salários-mínimos. Ambos também deverão pagar, de forma conjunta, R$ 2 milhões por danos materiais e morais coletivos.
Ex-deputada responde às condenações na Itália
Além do processo relacionado ao CNJ, Zambelli foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão por perseguir e apontar uma arma de fogo para o jornalista Luan Araújo, em São Paulo. A soma dos casos aumentou a pressão para que o Brasil consiga executar as penas aplicadas pelo STF.
Após as condenações, a ex-deputada deixou o Brasil e passou a viver na Itália, país onde possui cidadania. Enquanto sua defesa tenta reverter o quadro judicial, autoridades brasileiras acompanham os trâmites internacionais para viabilizar a extradição e o cumprimento das sanções determinadas pela Justiça.
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